Em meados de 2017, o Programa de Interiorização da Indústria (Pró-Sertão) sofreu um forte golpe após o Ministério Público do Trabalho (MPT) ingressar com uma ação contra o projeto e cobrando uma indenização de R$ 37 milhões a Guararapes pela parceria com as pequenas fábricas instaladas no interior do Rio Grande do Norte. Segundo o órgão, a gigante das confecções cometia uma série de irregularidades ao capitanear o programa que já gerava quase 4 mil empregos em pequenas cidades potiguares. A ação acabou motivando uma série de manifestações dos trabalhadores dessas empresas pelo interior do estado (foto acima).

O MPT acusava a Guararapes por direitos trabalhistas não cumpridos, alegando que a empresa deveria assumir a contratação de todos os trabalhadores das pequenas fábricas. A ação foi celebrada por setores da esquerda e do PT. Na época, a então senadora e atual governadora do Estado, Fátima Bezerra (PT), disse que a situação era conflituosa porque envolviam três fatores: "a manutenção de empregos, a sobrevivência dos pequenos empresários e a proteção dos direitos dos trabalhadores. O MP tem papel fundamental neste sentido, na condição de órgão fiscalizador, guardião da sociedade".

Já o então deputado estadual e atual secretário do Governo Fátima, Fernando Mineiro (PT) foi ainda mais enfático na defesa do MPT. "Não acredito que o MPT esteja desrespeitando a legislação. O que tenho acompanhado é que estão sendo combatidas as ilegalidades cometidas pelas empresas em suas relações de trabalho", disse o petista. O parlamentar ainda atacou o empresário Flávio Rocha. Para Mineiro, o vice-presidente da Guararapes manipulou o debate e adotou tática de guerra contra o MPT. As declarações foram publicadas pelo portal Agora RN.

A vice-líder da Bancada do PT na época, deputada Erika Kokay (PT-DF), disse que a ação do MPT visava retirar um processo fraudulento que o grupo Riachuelo implementava. “A Riachuelo não gerou nenhum emprego a mais, mas pegou as pessoas que eram contratadas diretamente pelo grupo e criou facções – que é a criação de outras empresas – terceirizando os trabalhadores que estavam contratados pela própria empresa para baratear o custo. Isso é extremamente cruel, estamos falando de um grupo que tem dimensão nacional”, lamentou Erika. A declaração da petista está publicada no site oficial da bancada do partido na Câmara, o ptnacamara.org.br.

Agora, quase três anos após o episódio - que acabou vencido pela Guararapes na Justiça - o Pró-Sertão se transformou em um parceiro do Governo Fátima e do PT potiguar, tanto na questão da geração de empregos como no enfrentamento a pandemia do coronavírus. Em parceria com a própria Guararapes, o Estado receberá R$ 7 milhões de máscaras para distribuir a população do RN, todas as peças serão produzidas exatamente nas pequenas fábricas que quase deixaram de existir devido a ação do MPT. Além disso, milhares de outros equipamentos de proteção já foram produzidos e doados pela companhia.

Antes disso, ainda no início do ano passado, a governadora reuniu os proprietários das pequenas empresas e representantes da Guararapes para dizer que "tem compromisso com o fortalecimento e o desenvolvimento deste programa que gera emprego, renda e arrecadação".