Polícia investiga racismo a vítima de ataque de pitbull e demora para chamar atendimento

11 de Março 2026 - 09h52
Créditos: Kléber Teixeira/Inter TV Cabugi | Divulgação


A Polícia Civil investiga mensagens de celular enviadas pela dona do pitbull que atacou e matou um homem na sexta-feira (6) em Extremoz, na Grande Natal.

A mulher foi presa um dia depois do caso, segundo a polícia, após indícios de que ela "teria provocado a morte da vítima", Francisco Paulo da Silva, de 62 anos. Ela nega as acusações.

De acordo com a delegada adjunta de Extremoz, Anna Beatriz Alves, em uma das trocas de mensagens com uma parente, a dona do pitbull disse que "o verme chegou" ao se referir à vítima.

Além disso, a polícia também investiga uma possível demora da tutora em acionar o atendimento médico após o ataque do animal ao homem.

Segundo a polícia, entre o ataque e a ligação para o socorro pode ter se passado cerca de 20 minutos. Antes de acionar o atendimento, a mulher teria ainda ligado para uma parente.

Dois celulares da mulher foram apreendidos e passam por perícia. A polícia informou que conseguiu prints de mensagens e também relatos da ocorrência que têm auxiliado na investigação.

Segundo a delegada adjunta, enquanto o homem trabalhava na casa, a mulher fez um ligação de vídeo em que afirmou que "o verme chegou" a um parente.

"A vítima estava trabalhando nesse momento. E ela fala: 'O verme chegou'. Ela foi questionada pela policial militar da ocorrência - a Polícia Civil ainda não tinha chegado no local dos fatos -, mas o relato da policial militar é o de que a questionou do porquê que ela teria chamado a vítima de verme. E ela mencionou que pela cor dele", explicou a delegada.

Segundo a delegada, a policial militar reforçou o questionamento sobre o termo em referência ao homem.

"Ela falou: 'Ah, mas ele também tava fedendo'. Isso consta, foi relatado pela policial militar, e pode ter tido cunho racista, xenofóbico, mas isso também ainda está sob investigação", explicou a delegada.

A mulher teve a prisão temporária, de 30 dias, decretada. Segundo a delegada adjunta, a polícia pretende encerrar o inquérito policial neste período. O resultado do laudo necroscópico e a oitiva de mais testemunhas vão auxiliar nas investigações.

A investigada tem histórico criminal de estelionato e extorsão.

A delegada disse que a polícia investiga os motivos de uma possível demora da mulher para acionar o atendimento médico.

Isso porque há registros no celular que mostram um contato da tutora do pitbull com uma parente informando sobre o ocorrido às 12h08, enquanto a ambulância teria sido chamada às 12h29 - com mais de 20 minutos de diferença.

Com informações de g1 RN

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