Créditos: Agência Brasil
Muito antes de a 9ª fase da Operação Compliance Zero colocar Jaques Wagner na mira da Polícia Federal nesta quinta-feira (18), o senador Rogério Marinho (PL-RN) já havia se posicionado publicamente cobrando investigação sobre os possíveis vínculos do PT da Bahia com o Banco Master. Ainda em 2025, quando as primeiras fases da Compliance Zero começaram a ser deflagradas com a prisão de Daniel Vorcaro em novembro, Marinho defendeu no Senado a necessidade de aprofundar as apurações sobre a relação entre o grupo financeiro e lideranças petistas baianas, citando nominalmente Jaques Wagner como figura que deveria ser investigada diante das evidências que já surgiam sobre o programa CredCesta e os negócios entre o Master e o governo da Bahia.
Na época, a reação do PT foi tratar a cobrança como manobra política da oposição. O partido argumentava que as investigações sobre o Banco Master deveriam se concentrar nos vínculos com o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), cujas relações com Vorcaro já estavam sendo apuradas. A narrativa petista buscava blindar seus quadros e direcionar o foco exclusivamente para adversários. Marinho, no entanto, insistiu que a Compliance Zero deveria seguir todas as trilhas, inclusive as que levavam ao PT baiano.
A operação deflagrada nesta quinta validou, na prática, o que Marinho alertava. A PF cumpriu 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, São Paulo e Distrito Federal contra Wagner e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro. O senador baiano é apontado como "beneficiário central das vantagens econômicas investigadas", segundo a decisão do ministro André Mendonça, do STF. A PF detalhou que Wagner teria recebido um apartamento de R$ 2,45 milhões, repasses milionários a empresas de familiares, voos em jatos particulares e ingressos para eventos internacionais, tudo como contrapartida por sua atuação legislativa em favor do Master. Agentes apreenderam 49 mil dólares em imóvel vinculado ao parlamentar.
O episódio demonstra que a cobrança de Marinho não era retórica vazia nem estratagema partidário, mas uma leitura correta dos sinais que as investigações já emitiam. A Compliance Zero, ao mirar Wagner, confirmou que o escândalo do Banco Master não respeita fronteiras ideológicas: atinge oposição e situação, direita e esquerda, com a mesma gravidade. A diferença é que, no caso do PT, a revelação desmonta a narrativa que o partido tentou construir durante meses, de que o escândalo era exclusivo de seus adversários.
Blog do Gustavo Negreiros


