O uso de testosterona sem indicação médica pode aumentar significativamente o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), parada cardíaca, insuficiência cardíaca e até morte. A conclusão é do maior estudo já realizado sobre o tema, publicado em 9 de julho na revista científica eBioMedicine. Com informações do Metrópoles.
A pesquisa acompanhou 358.957 homens, entre 30 e 75 anos, por um período de até 10 anos, comparando pacientes que utilizaram a terapia hormonal com e sem diagnóstico de hipogonadismo — condição caracterizada pela produção insuficiente de testosterona pelo organismo.
Os resultados mostraram que homens que iniciaram a reposição hormonal sem apresentar deficiência comprovada do hormônio tiveram um risco 51% maior de sofrer eventos cardiovasculares graves e um risco 90% maior de morte por qualquer causa, em comparação com aqueles que receberam o tratamento por indicação médica. Também foi observado aumento nos casos de AVC isquêmico, parada cardíaca e insuficiência cardíaca.
Segundo os pesquisadores, a segurança da terapia com testosterona depende da indicação correta para o tratamento.
Quando a reposição é indicada
A testosterona é um hormônio importante para diversas funções do organismo, como manutenção da massa muscular, saúde óssea, metabolismo, fertilidade, função cerebral e cardiovascular. Quando seus níveis estão abaixo do normal, podem surgir sintomas como cansaço persistente, queda da libido, disfunção erétil, alterações de humor, perda de massa muscular e redução da densidade óssea.
Nesses casos, a reposição hormonal é indicada para homens com hipogonadismo confirmado por sintomas e exames laboratoriais, com o objetivo de restabelecer níveis adequados do hormônio.
Nos últimos anos, no entanto, o uso da testosterona também se popularizou entre homens sem deficiência hormonal, principalmente para ganho de massa muscular e melhora do desempenho físico.
“O início da terapia com testosterona fora do contexto do hipogonadismo clássico tem se tornado cada vez mais frequente, mas sua segurança cardiovascular a longo prazo permanecia incerta”, destacam os autores do estudo.
Pesquisa acompanhou quase 360 mil homens
Os pesquisadores analisaram registros eletrônicos de saúde de 123 instituições e, para reduzir diferenças entre os grupos, compararam pacientes com características semelhantes, como idade, peso, pressão arterial e doenças pré-existentes. Ao final, foram acompanhados 113.554 pares de participantes.
De acordo com os autores, os dados indicam que os maiores riscos foram registrados justamente entre os homens que utilizaram testosterona sem apresentar evidências clínicas de hipogonadismo.
Diagnóstico e acompanhamento são essenciais
Os pesquisadores ressaltam que o estudo não encontrou aumento de risco entre pacientes que utilizaram testosterona para tratar hipogonadismo devidamente diagnosticado. Os resultados reforçam que a prescrição deve ser baseada em critérios clínicos e laboratoriais, além de exigir acompanhamento médico e monitoramento dos fatores de risco cardiovasculares.
Embora o estudo seja observacional e não estabeleça uma relação direta de causa e efeito, os cientistas afirmam que o grande número de participantes e o longo período de acompanhamento fortalecem as evidências de que o uso de testosterona sem indicação médica está associado a um risco maior de complicações cardiovasculares e morte.


