Rogério Marinho, sobre impeachment no STF: “Se eu for presidente do Senado, vou implementar a mudança do rito”

25 de Setembro 2026 - 07h13
Créditos: Carlos Moura/Agência Senado

O senador Rogério Marinho (PL-­RN) é um político discreto, de fala mansa e contundente. Coordenador da campanha à Presidência de Flávio Bolsonaro, passam pelo crivo dele estratégias, articulações e os detalhes mais sensíveis das propostas de governo. Em agosto, por exemplo, o candidato do PL, impulsionado pela revelação das mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, defendeu em um ato na Avenida Paulista o impeachment do magistrado do Supremo Tribunal Federal. Marinho pode vir a ser uma peça-chave nesse processo. Numa eventual vitória de Flávio, o senador potiguar se credencia como favorito para ocupar o poderoso cargo de presidente do Congresso. 

Hoje, a abertura de um processo de impeachment depende da disposição do chefe do Legislativo — disposição que não faltaria ao senador, como afirma em entrevista. Veja trecho concedido para a revista Veja:

Flávio Bolsonaro tem defendido o impeachment dos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino. Se o senhor se tornar presidente do Senado, em caso da vitória da chapa do PL, os processos serão instaurados?

Não quero ser como Alexandre de Moraes, que acusa e julga. Quero me colocar no papel de magistrado. Se os elementos de prova me convencerem, votarei favorável ao afastamento em definitivo do ministro processado.  O problema hoje é político. Não há no Senado maioria pró impeachment, mesmo com todas as provas de crime de responsabilidade. O que há é uma avacalhação. O presidente do Senado participou recentemente de um jantar na casa do Alexandre de Moraes para promover um “namoro” com o Lula. É uma subversão do funcionamento dos Poderes.

E o que garante que esse cenário vai mudar? 

Se eu for presidente do Senado, vou implementar a mudança do rito.  Quando o atual regimento interno foi feito, ninguém imaginava estar diante de uma suspeita tão forte de que um ministro do STF tenha praticado advocacia administrativa, recebido valores vultosos em em contrapartida de benesses, tentado obstruir o Judiciário e passado informações para investigados. Agora, estamos discutindo impeachment de ministro faltando poucos dias para as eleições. Minha proposta: se 49 senadores assinarem um pedido de cassação, a abertura do processo será automática. O presidente do Congresso também poderá fazê-lo se entender que o pedido tem os elementos suficientes.

“Minha proposta: se 49 senadores assinarem o pedido de impeachment, o processo será aberto. O presidente do Congresso também poderá fazê-lo se entender que há elementos suficientes”, afirmou o senador.

Quais são as prioridades que o senhor estabeleceria na hipótese de comandar o Congresso? 

A reforma do Judiciário é uma delas. Ações penais e criminais não podem continuar no Supremo, que está tumultuando o ambiente democrático do Brasil. Deve haver mandatos para juízes.  Temos ministros que estão no STF há mais de vinte anos e se acham acima do bem e do mal.  O sistema de pesos e contrapesos é falho, porque um indício forte de crime de responsabilidade precisa ser investigado pelo Senado, que tem sido omisso nos últimos anos. Precisamos acabar de uma vez por todas com as decisões monocráticas. O excesso de judicialização precisa ser discutido porque, para o país, a previsibilidade e a segurança jurídica são elementos essenciais para atrair investimentos. 

Com informações de Veja