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O clima esquentou nos bastidores do Partido dos Trabalhadores (PT). Insatisfeita com a organização das últimas eleições, uma ala da legenda travou uma disputa interna que forçou a convocação de uma reunião do Diretório Nacional para o dia 13 de novembro. Na pauta, além de uma lavagem de roupa suja sobre o desempenho nas urnas, os caciques petistas devem começar a desenhar o futuro da sigla e a sucessão presidencial após a aposentadoria de Lula.
O principal alvo das críticas é o presidente do partido e coordenador da campanha, Edinho Silva. Líderes estaduais reclamam da forte centralização das decisões e da distribuição de recursos. O descontentamento foi endossado pelo próprio presidente Lula, que em um áudio vazado acidentalmente, classificou a campanha como a "menos organizada" da qual já participou desde 1989.
A crise financeira interna expõe uma queixa histórica do Nordeste contra o domínio paulista na sigla. Dirigentes locais cobram mais autonomia para distribuir o dinheiro, argumentando que conhecem o potencial de seus candidatos. O descompasso ficou evidente no Rio Grande do Norte: Cadu de Lula, que acabou eleito governador, recebeu apenas R$ 1,5 milhão do Diretório Nacional para os dois turnos — valor inferior ao que foi repassado para diversos candidatos a deputado federal pelo país.
Apesar das turbulências e da cobrança por renovação e atração do eleitorado jovem, há um consenso de que caberá a Lula ditar o ritmo de sua própria sucessão para 2030. Com o fim do seu próximo mandato aos 85 anos, o presidente não deve mais disputar eleições. Nos bastidores, nomes como o senador Camilo Santana (CE), o governador Rafael Fonteles (PI) e o ex-ministro Fernando Haddad (SP) já despontam como os principais cotados para herdar o capital político do atual chefe do Executivo.


