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A Justiça de São Paulo autorizou, nesta quarta-feira (21), o processamento inicial da recuperação judicial do Grupo Casas Bahia. A decisão da juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais, reconheceu que a empresa atende aos requisitos formais preliminares e estabeleceu prazo de 30 dias para a entrega de documentos pendentes.
O grupo e outras nove empresas ligadas ao conglomerado entraram com o pedido em 16 de agosto, informando dívidas estimadas em R$ 17,3 bilhões.
A decisão não concede a recuperação judicial definitiva. Nesta etapa, a Justiça analisa a documentação, sem avaliar a viabilidade econômica da empresa ou aprovar o plano de recuperação. A concessão definitiva dependerá de etapas futuras, incluindo a aprovação do plano pelos credores e a regularidade fiscal.
Casas Bahia atribui crise a juros e concorrência
À Justiça, o grupo apontou que a crise começou com a associação entre Casas Bahia e Ponto Frio, em 2009, que exigiu investimentos significativos. A situação se agravou durante a pandemia de Covid-19, quando o fechamento de lojas físicas acelerou a necessidade de investimentos no comércio eletrônico.
A empresa também citou a alta dos juros a partir de 2021, que teria reduzido o poder de compra dos consumidores, retraído a demanda por bens duráveis e elevado a inadimplência, além da concorrência crescente com plataformas estrangeiras de comércio eletrônico.
Em 2023, o grupo fechou lojas deficitárias, reduziu funcionários e estoques, cortou investimentos e reorganizou centros de distribuição. Segundo a empresa, as medidas produziram resultados positivos inicialmente, mas a crise voltou diante da persistência das dificuldades econômicas.


