Fazenda vertical produz 25 tipos de hortaliças em sala comercial e fatura R$ 50 mil por mês

07 de Setembro 2026 - 10h16
Créditos: Reprodução/PEGN

Em uma sala comercial de Florianópolis, em Santa Catarina, bandejas iluminadas por luzes artificiais substituem o cenário tradicional de uma lavoura.

Ali, entre sensores, software de gestão e sistemas automatizados de irrigação, nascem diariamente brócolis, rúcula, rabanete, repolho roxo e outras espécies de microverdes. O cultivo acontece em ambiente fechado, sem depender das condições climáticas e com desperdício próximo de zero.

Por trás do negócio estão a advogada Laíla Ribeiro e o engenheiro de produção Leonardo Corrêa. O casal trocou a rotina acelerada de São Paulo pela capital catarinense em busca de mais qualidade de vida e encontrou na agricultura urbana uma oportunidade para empreender.

Hoje, a empresa produz 25 espécies diferentes de microverdes, abastece 95 pontos de venda, entre restaurantes e supermercados, e registra faturamento mensal de R$ 50 mil. Os microverdes são hortaliças colhidas ainda nos primeiros estágios de desenvolvimento.

Comercializados vivos, plantados em substrato, eles são considerados por especialistas e pelo mercado de alimentos funcionais como produtos de alto valor nutricional, além de serem usados para dar sabor e sofisticação aos pratos.

Do sonho empreendedor à pesquisa de campo
Embora não tivessem formação em agronomia, Laíla e Leonardo mergulharam no universo da agricultura antes de iniciar a operação. Há sete anos, passaram a estudar hidroponia, cultivos protegidos e modelos de startups voltados à inovação.

A ideia ganhou força quando o casal conheceu o conceito de fazendas verticais, estruturas que permitem produzir alimentos em áreas urbanas utilizando tecnologia para controlar iluminação, irrigação e temperatura. A aposta atraiu investidores.

Em 2022, a startup recebeu um aporte-anjo de R$ 400 mil. Dois anos depois, obteve mais R$ 702 mil por meio do programa Tecnova, com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc).

Agricultura guiada por software
O diferencial do negócio está na combinação entre produção agrícola e tecnologia. Todo o funcionamento da fazenda é monitorado por um aplicativo desenvolvido pelos próprios empreendedores.

A plataforma controla diferentes etapas da operação, desde a iluminação e a irrigação até o planejamento da produção.

Como a empresa trabalha com 25 espécies, ciclos distintos de cultivo e cerca de 100 clientes recorrentes, o sistema cruza os pedidos e indica exatamente quando cada bandeja deve ser plantada para atender à demanda.

O modelo funciona como uma produção sob encomenda. Segundo Leonardo, isso permite praticamente eliminar perdas. Quase tudo o que é plantado chega ao consumidor final, aumentando a eficiência e contribuindo para a rentabilidade do negócio.

Tecnologia própria e pedido de patente
Em busca de mais produtividade, o casal também criou uma solução própria para padronizar o cultivo. Trata-se de um biofilme hidrossolúvel com sementes incorporadas, aplicado sobre uma manta de fibra de coco.

Atualmente, a operação conta com nove funcionários e capacidade para produzir cerca de 1.500 unidades de microverdes por semana. Cada módulo de fazenda vertical abriga aproximadamente 300 bandejas de cultivo.

Mercado em expansão
O crescimento do negócio acompanha uma tendência de consumo. Nos supermercados parceiros, os microverdes vêm conquistando espaço entre clientes interessados em alimentação saudável, rastreabilidade e produtos frescos.

Além do valor nutricional, os consumidores também buscam praticidade. Os microverdes podem ser adicionados a sanduíches, massas, risotos, carnes e até refeições rápidas do dia a dia, agregando sabor, textura e nutrientes.

Com a operação consolidada em Florianópolis, Laíla e Leonardo já planejam o próximo passo: expandir o modelo por meio de franquias. A estratégia faz sentido para um negócio cuja proposta é produzir alimentos o mais próximo possível do consumidor, reduzindo logística e perdas.

Com informações de Pequenas Empresas, Grande Negócios