Empresas americanas pedem que EUA não tarifem produtos do Brasil

07 de julho 2026 - 09h22

Grandes empresas norte-americanas enviaram manifestações ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) pedindo que produtos importados do Brasil sejam excluídos da proposta de tarifas adicionais em análise pelo governo dos Estados Unidos. Documentos apresentados em 1º de julho por companhias como Tesla, Nestlé, Coca-Cola e eBay alertam que a medida pode elevar custos, afetar cadeias de suprimentos e aumentar os preços para consumidores e empresas americanas.

Os pedidos foram protocolados no âmbito da investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos. Além da tarifa de 12,5% já prevista, o órgão avalia a aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, sob a justificativa de que o Brasil adota práticas que restringem ou oneram o comércio com os norte-americanos. As audiências públicas sobre o tema começaram na segunda-feira (6).

Em sua manifestação, a Tesla solicitou que insumos industriais brasileiros sejam isentos da nova tarifa. A empresa afirmou que ainda depende de matérias-primas produzidas no Brasil para setores como veículos elétricos, robótica e baterias e argumentou que uma tributação acelerada prejudicaria trabalhadores e consumidores dos Estados Unidos.

A Nestlé pediu a inclusão do café solúvel e do colágeno bovino na lista de produtos isentos. Segundo a companhia, os Estados Unidos não produzem café em escala comercial suficiente e a oferta interna de colágeno não atende à demanda da indústria de alimentos, saúde e bem-estar.

A Coca-Cola defendeu a manutenção da isenção para o suco de laranja brasileiro e solicitou que o limão e seus derivados também fiquem livres das novas tarifas ou tenham um período de transição. A empresa destacou a queda da produção de laranjas na Flórida e afirmou que o Brasil se tornou um fornecedor essencial para suprir o mercado norte-americano.

Já o eBay pediu que produtos usados e seminovos sejam excluídos da medida. A plataforma argumenta que a cobrança de tarifas sobre itens de segunda mão encareceria produtos destinados principalmente a consumidores de menor renda e aumentaria os custos operacionais de pequenos comerciantes e da fiscalização aduaneira.

A mobilização das empresas ocorre em meio às negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e a um momento de tensão diplomática entre os dois países, enquanto o governo brasileiro busca evitar a adoção de novas barreiras comerciais contra produtos nacionais.

Com informações G1