Câmara envia ao STF relato de suposta "armação" contra vice de Flávio

10 de Agosto 2026 - 10h00
Créditos: Andressa Anholete/Agência Senado

A Câmara enviou ao STF o depoimento de um comerciante carioca que afirma que a acusação por crime de estupro de vulnerável envolvendo o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), anunciado como vice de Flávio Bolsonaro (PL), teria sido uma suposta “armação”.

O relato foi colhido pela Polícia Legislativa da Casa de forma virtual em 23 de abril, após a corporação ser acionada pelo próprio Gaspar. O parlamentar alagoano relatou que o depoente teria ligado para seu gabinete funcional a fim de denunciar a possível trama.

O material foi enviado pela Câmara ao Supremo em 5 de maio. O caso precisou ser remetido à Corte após o comerciante citar que a “armação” teria sido feita, supostamente, por pessoas ligadas ao deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que tem foro privilegiado.

Juntamente à senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), Linberbergh apresentou, em 27 de março de 2026, uma notícia de fato na qual apontava que o hoje vice de Flávio teria estuprado uma adolescente e seria pai de uma filha fruto da suposta violência sexual.

No relatório enviado ao STF, a Polícia Legislativa informa ter colhido o depoimento de um homem identificado como “Luis Antonio Lopes”, de 62 anos. Segundo o documento, ele seria dono de um quiosque no shopping Jardim Guadalupe, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

Na oitiva, Luis Antonio relatou que a suposta “armação” envolveu o recrutamento de uma jovem chamada “Marcela Maria Mendes”, que prestava serviços em seu quiosque. O plano seria Marcela conceder entrevistas fingindo se chamar “Jailma” e se apresentando como vítima do estupro de Gaspar.

A suposta reunião com Lindbergh
No depoimento, Luis Antonio afirmou ainda que Lindbergh teria participado de uma reunião virtual com Marcela e outras pessoas. O depoente disse aos policiais legislativos que Lindbergh “parecia ter plena ciência do contexto fraudulento tratado nas reuniões”.

Aos policiais, o depoente afirmou ter emprestado sua conta para Marcela receber os pagamentos pela armação. Ele citou três supostos depósitos: de R$ 4 mil, de R$ 10 mil e outro de R$ 2,5 mil. Ele enviou à Polícia Legislativa comprovante dos dois últimos depósitos.

O envio ao STF
Em razão da citação de Lindbergh no depoimento, a Polícia Legislativa encaminhou o caso à Corregedoria da Câmara, comandada pelo deputado Diogo Coronel (Republicanos-BA). A Corregedoria, então, acionou a Mesa Diretora, que enviou o material ao STF.

O documento foi enviado por meio da Advocacia-Geral da Câmara ao gabinete do ministro do Supremo Gilmar Mendes, relator do pedido de abertura de inquérito para apurar a acusação de estupro contra Alfredo Gastar. O envio ocorreu no dia 5 de maio de 2026.

Gilmar pediu um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) antes de decidir sobre o inquérito. A PGR, por sua vez, pediu diligências à Polícia Federal. O pedido foi feito pela PGR em 21 de maio, mas Gilmar só encaminhou para a PF na quarta-feira (5).

Lindbergh nega
Em nota, Lindbergh negou com veemência os fatos narrados pelo depoente à Polícia Legislativa. Atual vice-líder do governo Lula na Câmara, o parlamentar petista chamou o episódio de “picaretagem” e disse que o depoimento teria sido “inventado”.

“Isso é uma picaretagem. Desconheço os citados e a suposta investigação da Polícia Legislativa. Não conheço os envolvidos e não participei de reuniões para tratar desse assunto. A primeira coisa que a Polícia Federal tem que fazer é investigar esse tal “tio Luiz”, prender esse cara. Esse depoimento é inventado e é mais uma suspeita em cima do Alfredo Gaspar. Por que esse cara deu esse depoimento à Polícia Legislativa? A pedido de quem?”, afirmou Lindbergh.

Segundo o depoimento, Marcela teria sido recutrada por um homem chamado “Lucas”, conhecido como “Doidinho”. Luis Antonio relatou aos policiais que Lucas se apresentava como “assessor legislativo”.

“Em determinada ocasião, Marcela se reuniu com uma mulher jornalista e com um indivíduo de nome Lucas, o qual se apresentava como assessor do Legislativo, conhecido do prefeito de Nova Iguaçu e, posteriormente, como ligado ao contexto político de Lindbergh Farias; […] tomou conhecimento, por intermédio de um colaborador do seu estabelecimento, senhor Rodrigo Freitas, morador da comunidade do Acari e vizinho de Marcela, de que ela havia sido preparada para conceder entrevista sob identidade falsa, utilizando o nome fictício de ‘Jailma’, afirmando falsamente ser oriunda de Maceió/AL e sustentando narrativa segundo a qual teria sido abusada sexualmente, ainda adolescente, por um político, fato do qual teria resultado uma criança“, diz o boletim de ocorrência.

Segundo Luis Antonio, o plano consistiria em divulgar a acusação de abuso sexual e, em um segundo momento, fazer “Jailma” desaparecer. Para dar verossimilhança à narrativa, teria sido criada uma filha fictícia chamada “Eloá”, supostamente fruto do estupro.

Com informações de Metrópoles