BNDES inicia estudos para tirar Porto-Indústria Verde, no RN, do papel

27 de Agosto 2026 - 10h24
Créditos: Heros Lucena/Assecom

O projeto do Porto-Indústria Verde, em Caiçara do Norte, no litoral norte potiguar, entrou em uma nova etapa nesta semana com o início dos estudos conduzidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A primeira fase terá prazo de 12 meses, com previsão de conclusão em agosto de 2027, e vai analisar a viabilidade econômica, a engenharia, os aspectos jurídicos e a infraestrutura necessária para implantação do empreendimento.

A movimentação ocorre após anos de planejamento e representa uma tentativa do Rio Grande do Norte de transformar sua vantagem na produção de energia renovável em uma plataforma de industrialização, investimentos e geração de empregos.

Uma equipe do BNDES esteve na área destinada ao futuro Porto-Indústria Verde entre terça-feira e esta quarta-feira (26), acompanhada por representantes das secretarias estaduais de Planejamento, Infraestrutura e Desenvolvimento Econômico. O grupo é liderado por Ian Guerriero, superintendente da Área de Soluções em Infraestrutura do banco.

Segundo o cronograma apresentado pelo governo estadual, o trabalho será dividido em duas etapas. A primeira termina em 12 meses. A segunda está prevista para ocorrer dois anos depois.

Ao final da primeira fase, a expectativa é apresentar um estudo técnico acompanhado de uma proposta de modelo contratual para o Porto-Indústria Verde, que deverá ser submetida à consulta pública e posteriormente ao mercado para estruturação de uma Parceria Público-Privada (PPP).

Para a governadora Fátima Bezerra, o início dos trabalhos representa a concretização de uma iniciativa prioritária para o estado. “É um projeto transformador para o estado, para o Nordeste e para o Brasil. Não queremos só produzir ‘commodities’, mas sim que esse ativo seja transformado em riqueza, em indústrias, empregos e renda para nosso povo”, afirmou.

Energia renovável como base para industrialização
O Porto-Indústria Verde foi concebido para atender às necessidades da cadeia produtiva associada às energias renováveis. A estrutura deverá apoiar atividades relacionadas à transição energética, incluindo produção e circulação de combustíveis e insumos ligados à economia do mar e à redução das emissões de carbono.

A proposta combina infraestrutura portuária e atividade industrial, com a intenção de criar condições para atrair capital privado e ampliar o aproveitamento do potencial energético potiguar.

Ian Guerriero destacou o potencial econômico do empreendimento e a necessidade de incorporar as dimensões ambiental e social ao planejamento.

“Estamos com toda nossa equipe aqui para iniciarmos, junto com o Governo do Estado, o projeto que vai criar o Porto, um projeto transformador, sempre respeitando o ambiental e o social na região, ouvindo a sociedade em audiência pública e, na sequência, fazermos a contratação dos serviços no prazo de 12 meses”, afirmou o gestor do BNDES.

O que é o Porto-Indústria Verde?
Com investimentos estimados em R$ 10 bilhões, o empreendimento foi concebido para atender inicialmente à cadeia da energia eólica offshore e deverá funcionar como um complexo portuário-industrial capaz de atrair fabricantes de equipamentos, projetos de hidrogênio verde, mineração e outras atividades ligadas à transição energética.

O projeto nasceu da necessidade de criar uma infraestrutura adequada para atender o avanço da energia eólica no estado. Há um ano, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concedeu, a primeira licença prévia para o Sítio de Testes de Aerogeradores Offshore, no litoral do município de Areia Branca, com capacidade instalada de até 24,5 megawatts (MW).

Atualmente, o Rio Grande do Norte responde por cerca de 32% da geração de energia eólica do Brasil, segundo dados do governo estadual, e lidera as perspectivas de desenvolvimento da eólica offshore no país. Apesar desse protagonismo, o estado enfrenta desafios relacionados ao escoamento da energia produzida e à necessidade de ampliar sua base industrial para absorver parte dessa produção energética.

Estrutura modular prevê investimentos de R$ 6,8 bilhões
O projeto será implantado de forma modular. A primeira fase prevê investimentos de R$ 3,1 bilhões em infraestrutura básica, incluindo dragagem, construção do canal de acesso, cais e áreas operacionais.

A segunda etapa, estimada em R$ 2,1 bilhões, contempla estruturas voltadas à produção de hidrogênio verde e amônia. Já a terceira fase, com aporte previsto de R$ 1,6 bilhão, será dedicada à diversificação das operações, incluindo terminais especializados para veículos e produtos químicos.

Somadas, as três etapas representam investimentos de R$ 6,8 bilhões e foram desenhadas para permitir uma expansão gradual do empreendimento de acordo com a demanda do mercado.

Com a criação da estrutura de acesso ao porto e outras atividades relacionadas, os investimentos para viabilizar o empreendimento chegam a R$ 10 bilhões.

Fonte: Movimento Econômico