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Rir, tossir, espirrar, correr ou pular e sentir que “escapou um pouquinho de xixi” é uma experiência mais comum do que se imagina e, justamente por ser tão frequente, muitas mulheres acabam naturalizando esse sintoma como algo que “toda mulher tem depois de certa idade” ou “depois de ter filhos”.
Mas vale a pena repetir: ser comum não é o mesmo que ser normal, e existem formas de cuidar disso.
O que é a incontinência urinária de esforço
A incontinência urinária de esforço é a perda involuntária de urina que acontece em momentos de aumento da pressão dentro do abdômen, como ao tossir, espirrar, rir, levantar peso ou praticar atividades físicas de impacto, como corrida e pular corda.
Isso costuma acontecer quando a musculatura do assoalho pélvico (um conjunto de músculos que sustenta a bexiga, o útero e o intestino) perde parte da força ou do controle necessários para segurar a urina nesses momentos de esforço.
Estudo brasileiro mostra que esse tipo de queixa não é raro: uma pesquisa realizada com mulheres atendidas na atenção primária à saúde encontrou incontinência urinária em cerca de 36% das participantes, número que se aproxima da faixa de 25% a 45% descrita pela International Continence Society, uma das principais referências mundiais no tema. Ou seja, é bem provável que você conheça, mesmo sem saber, mais de uma mulher que convive com isso silenciosamente.
Por que isso acontece
Diversos fatores podem contribuir para o enfraquecimento do assoalho pélvico ao longo da vida. A gravidez e o parto, especialmente o parto vaginal, estão entre os fatores mais associados ao surgimento da incontinência urinária, já que sobrecarregam essa musculatura.
A chegada da menopausa, com a queda dos níveis de estrogênio, também pode influenciar a qualidade dos tecidos da região pélvica. Some-se a isso o processo natural de envelhecimento, o excesso de peso corporal e até a tosse crônica, que aumenta repetidamente a pressão sobre essa musculatura.
Vale destacar que isso pode acontecer em mulheres de qualquer idade, inclusive em mulheres jovens e que nunca engravidaram — praticantes de esportes de alto impacto, por exemplo, também podem apresentar o sintoma.
Vale lembrar também que existem outros tipos de incontinência urinária, como a chamada incontinência de urgência, associada a uma vontade repentina e difícil de segurar de urinar, às vezes sem relação direta com esforço físico.
Os dois tipos podem, inclusive, aparecer juntos na mesma mulher. Por isso, identificar corretamente qual é o padrão de perda de urina é um passo importante para direcionar o tratamento mais adequado. Essa investigação deve ser feita por um profissional de saúde.
O que a evidência científica diz sobre o tratamento
A boa notícia é que a incontinência urinária de esforço está entre as condições ginecológicas com mais respaldo científico para tratamento conservador, ou seja, sem cirurgia.
Diretrizes internacionais recomendam o treinamento da musculatura do assoalho pélvico, conduzido por um fisioterapeuta especializado, como primeira linha de tratamento antes de se considerar outras intervenções.
Uma ampla revisão que reuniu 46 estudos e mais de 10 mil mulheres mostrou que programas estruturados de exercícios para o assoalho pélvico, quando feitos ainda durante a gravidez, reduzem de forma significativa o risco de a mulher desenvolver incontinência urinária na reta final da gestação e no pós-parto.
Isso reforça a importância de começar a cuidar dessa musculatura de forma preventiva, e não apenas depois que o problema já apareceu.
Um ponto importante: fazer os exercícios sozinha, sem orientação, nem sempre traz o resultado esperado — pesquisas mostram que boa parte das mulheres contrai o músculo errado ao tentar fazer esse exercício por conta própria. Por isso, a avaliação de um profissional faz toda a diferença para garantir que o treino seja feito da forma correta.
Orientações práticas
Buscar uma avaliação com fisioterapeuta especializado em saúde da mulher ou fisioterapia pélvica é o primeiro passo para entender a causa da perda de urina e receber orientação individualizada sobre o tratamento mais adequado.
Evitar o hábito de “segurar” a vontade de urinar por longos períodos e tratar a constipação intestinal, quando presente, também ajuda a reduzir a sobrecarga sobre a bexiga e o assoalho pélvico.
Manter um peso corporal saudável, dentro do que for possível e individual para cada mulher, é outro fator associado a menor risco de incontinência urinária.
Praticar atividade física orientada, incluindo exercícios específicos para o assoalho pélvico quando indicados por um profissional, tende a trazer melhores resultados do que tentativas isoladas e sem acompanhamento.
Quando buscar orientação profissional
Se você percebe perda de urina ao rir, tossir, espirrar ou se exercitar, sente urgência frequente para urinar, acorda várias vezes à noite para ir ao banheiro ou tem evitado atividades sociais e físicas por medo de escapar urina, esses são sinais de que vale a pena conversar com um médico ou fisioterapeuta pélvico.
Quanto antes o assunto for abordado, maiores as chances de melhora e menor a necessidade de tratamentos mais complexos no futuro.
Uma mensagem para levar com você
A incontinência urinária costuma ser cercada de silêncio e vergonha, mas ela não deveria ser um assunto tabu, nem algo com que você precise simplesmente aprender a conviver.
É uma condição comum, estudada, com tratamento de base científica sólida e, na maioria das vezes, sem necessidade de cirurgia. Buscar ajuda para isso não é exagero — é cuidado com a própria qualidade de vida.
Fonte: R7


