Créditos: Arte Metrópoles/Gabriel Lucas
Às vésperas da abertura da Copa do Mundo da Fifa, o governo dos Estados Unidos emitiu um alerta nesta quinta-feira (11/6) direcionado a influenciadores digitais estrangeiros que pretendem produzir conteúdo remunerado no país utilizando visto de turista.
Em nota conjunta da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) e do Departamento de Segurança Interna (DHS), enviada ao jornal espanhol El País, as autoridades reforçam que a criação de conteúdo com finalidade comercial é considerada atividade profissional e exige autorização migratória específica.
“Entrar nos Estados Unidos com o propósito de produzir conteúdo e obter renda durante a estadia é considerado trabalho e requer o visto adequado”, afirma a nota.
Segundo o governo norte-americano, visitantes que recebam remuneração de fontes sediadas nos EUA enquanto estiverem no país podem estar descumprindo as condições de entrada estabelecidas pelo visto.
Até o momento, as autoridades não detalharam como a fiscalização será realizada nem informaram se já houve autuações relacionadas a esse tipo de atividade.
De acordo com as regras migratórias dos EUA, o visto de turista B-2 é destinado a viagens de lazer, férias, visitas familiares e tratamentos médicos. A categoria não permite o exercício de atividades profissionais nem a obtenção de renda decorrente de trabalhos realizados em território americano. O descumprimento pode levar ao cancelamento do visto, deportação e dificuldades para futuras entradas no país.
Para influenciadores digitais e criadores de conteúdo, uma das opções disponíveis é o visto O-1, destinado a profissionais com reconhecimento ou habilidades consideradas extraordinárias em áreas como artes, esportes, ciência e negócios. Dependendo do enquadramento do solicitante, a categoria permite o desenvolvimento de atividades remuneradas, incluindo ações publicitárias, contratos com marcas e produção de conteúdo comercial.
Fiscalização ampla
Em entrevista ao jornal El País, uma fonte ligada ao governo dos Estados Unidos afirmou que a administração do presidente Donald Trump pretende ampliar a fiscalização em aeroportos e postos de imigração para identificar estrangeiros que utilizem vistos de turismo para exercer atividades profissionais no país. Segundo a fonte, que falou sob condição de anonimato, a medida busca “proteger empregos americanos”.
“Eles acabam se denunciando por meio dos próprios vídeos”, afirmou a autoridade, referindo-se a influenciadores que compartilham nas redes sociais detalhes sobre suas viagens, trabalhos e formas de monetização durante a estadia nos Estados Unidos.
O endurecimento da fiscalização ocorre em meio aos preparativos para a Copa do Mundo 2026 e reforça a política migratória mais rígida adotada pelo governo Trump. Nas últimas semanas, o país chamou atenção por medidas envolvendo estrangeiros que pretendem acompanhar ou trabalhar durante o torneio, gerando preocupação entre torcedores, profissionais da comunicação e criadores de conteúdo.
Entre os casos que repercutiram recentemente está a restrição à entrada de cidadãos iranianos em território americano, em meio ao conflito entre os dois países. Também ganhou destaque a deportação de um árbitro somali, após autoridades dos EUA alegarem possíveis vínculos com organizações classificadas como terroristas.
Com informações do Metrópoles.


