Em depoimento à Justiça Federal de Brasília, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o ex-ministro Antonio Palocci mentiu ao relatar supostos diálogos com ele sobre a aprovação de medidas provisórias que beneficiaram o setor automotivo nas gestões do PT.

"Não só não é verdade, como é inverossímil essa ilação", disse Lula. O ex-presidente depôs em interrogatório ao juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, em processo da Operação Zelotes no qual é réu.

Lula é acusado de ter cometido o crime de corrupção passiva. Em 2009, o governo do então presidente editou a Medida Provisória 471, que beneficiava empresas do setor automobilístico, um dos pontos investigados pela Operação Zelotes. A MP (Medida Provisória) prorrogou por cinco anos benefícios tributários destinados a empresas do setor automobilístico.

Segundo o MPF (Ministério Público Federal), que denunciou Lula em 2017, a MP envolveu a promessa de pagamentos de vantagens indevidas a intermediários do esquema e a agentes políticos.

No depoimento de hoje, ao ser perguntado sobre o motivo de Palocci ter feito declarações que poderiam incriminá-lo, Lula afirmou que o ex-ministro possivelmente estaria interessado nos benefícios do acordo de delação premiada firmado com a Polícia Federal. "A única explicação era porque ele deveria estar ganhando um prêmio para fazer delação", afirmou Lula.

Fonte: UOL