Dentista alerta: parece afta, mas pode ser sinal de câncer na boca

03 de Novembro 2026 - 10h38
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Uma pequena ferida na boca pode parecer apenas uma afta, mas, em alguns casos, pode indicar um problema mais grave. A dentista Catherine Brady alerta que alterações aparentemente inofensivas, especialmente aquelas que não desaparecem depois de algumas semanas, podem ser sinais de câncer oral.

Em entrevista ao jornal britânico Daily Mail, a especialista explicou que muitas pessoas ignoram feridas, manchas ou pequenos caroços na boca, principalmente quando não provocam dor.

"É fácil ignorar uma úlcera, mancha ou caroço, especialmente se não dói", afirmou.

Segundo a dentista, a maioria dessas alterações não está relacionada ao câncer. No entanto, é importante procurar avaliação profissional quando os sintomas persistem ou apresentam características incomuns.

"A maioria das alterações não será câncer, mas é necessário um diagnóstico profissional para ter certeza. Se algo parecer incomum para você, procure um dentista ou médico. Você não está desperdiçando o tempo de ninguém", orientou.

O câncer oral pode atingir diferentes regiões da boca, incluindo língua, gengivas, lábios e parte interna das bochechas.

Um dos principais sinais de alerta é a presença de feridas que não cicatrizam em até três semanas.

"Feridas que não desaparecem, seja na gengiva ou na língua, em três semanas podem ser um dos sinais mais fáceis de identificar", explicou Brady.

A especialista também chama a atenção para lesões indolores na língua que permanecem por várias semanas.

"Se a língua apresentar algum tipo de úlcera indolor que não desaparece em algumas semanas, esse é um dos maiores sinais de alerta de câncer oral", acrescentou.

Nesses casos, a recomendação é marcar uma consulta com um dentista ou médico, sem esperar que a lesão desapareça espontaneamente.

Outros sinais de câncer na boca

Além das feridas persistentes, existem outros sintomas que merecem atenção:

Manchas brancas ou vermelhas na língua, gengivas ou parte interna das bochechas;
Caroços ou inchaços incomuns na boca, nos lábios ou no pescoço;
Dificuldade ou dor ao engolir;
Rouquidão persistente;
Alterações na língua ou em outras regiões da boca que não desaparecem.

Esses sintomas também podem ter causas benignas, como irritações, infecções ou traumatismos. Por isso, a avaliação profissional é necessária para identificar a origem do problema.

Hábitos que aumentam o risco de câncer oral

O tabagismo e o consumo excessivo de álcool estão entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento de câncer na boca.

O médico Nigel Carter, diretor da Oral Health Foundation, organização britânica dedicada à saúde bucal, também destaca o aumento dos casos associados ao papilomavírus humano (HPV).

"Os casos de tumores na boca estão aumentando globalmente. O tabagismo e o consumo excessivo de álcool continuam sendo os fatores de risco mais significativos, mas estamos observando um número crescente de casos associados ao HPV", afirmou.

O vírus pode ser transmitido por contato sexual, incluindo sexo oral, e está associado principalmente a determinados tipos de câncer de orofaringe, região que inclui as amígdalas e a base da língua.

Pessoas que fumam ou fumaram durante muitos anos devem manter acompanhamento odontológico regular.

"Quem fuma ou já fumou durante muitos anos deve visitar o dentista para que sejam realizadas avaliações mais minuciosas", recomendou Carter.

O consumo excessivo de bebidas alcoólicas também aumenta o risco da doença, especialmente quando associado ao cigarro.

"A maioria das pessoas não associa o consumo elevado de álcool ao risco de desenvolver câncer, e isso é preocupante, já que a bebida é tão perigosa para o organismo quanto o cigarro", explicou.

A alimentação também pode influenciar o risco de desenvolvimento de tumores na boca. Segundo dados citados pela Oral Health Foundation, uma dieta pobre em frutas e vegetais está associada a maior probabilidade de desenvolver a doença.

A entidade aponta ainda que a ingestão insuficiente de nutrientes, como vitamina C e cálcio, pode estar relacionada a um risco mais elevado.

Fonte: Notícias ao Minuto