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O ex-banqueiro Daniel Vorcaro alterou sua segunda proposta de delação premiada e passou a classificar como propina os pagamentos feitos ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). Na primeira versão, o dono do Banco Master descrevia os repasses como gastos de amizade, sem contrapartida. A informação é do Estadão
A mudança foi coordenada pelo advogado Sérgio Leonardo, que assumiu a defesa após a rejeição da proposta anterior pela Polícia Federal e pela PGR. O trabalho levou cerca de 15 dias e resultou em uma narrativa de cooptação do senador em favor dos interesses do banco.
A segunda proposta endureceu as menções a fatos criminosos e trouxe novas informações, como irregularidades na captação de recursos de regimes de previdência municipais e estaduais. Mesmo assim, investigadores avaliam que os fatos não trazem avanços diante do volume de provas já obtido no celular de Vorcaro.
A tendência é que a PF rejeite a proposta. A PGR ainda analisa o material, e não houve comunicação formal à defesa sobre o resultado até o momento.
A mudança de versão sobre Ciro Nogueira ocorreu após a Operação Compliance Zero apontar suspeitas de pagamento de mesada de R$ 300 mil a empresa ligada ao senador. A contrapartida seria a obtenção de benefícios ao Master em propostas em tramitação no Congresso.
Ciro Nogueira negou irregularidades e disse não ter apresentado projetos para beneficiar o banco. Registros no celular de Vorcaro mostram ao menos dez menções ao senador, incluindo combinação de presença no casamento da filha dele, dez dias antes de Ciro apresentar a chamada Emenda Master.
A emenda propunha elevar o limite de cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF — medida identificada como benefício direto ao Master, cujo modelo de negócio era, segundo o próprio Vorcaro em depoimento à PF, totalmente baseado no fundo garantidor.


