Créditos: Reprodução TV Senado
Parlamentares favoráveis à investigação da relação do banqueiro Daniel Vorcaro com o ministro Dias Toffoli aumentam as cobranças sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
A avaliação é que a omissão do Parlamento ficou inviável desde quarta à noite. Foi quando o UOL revelou que a PF (Polícia Federal) apresentou ao STF (Supremo Tribunal Federal) uma engenharia financeira que fez R$ 20 milhões do Master chegarem a Toffoli e seus irmãos. Toffoli se afastou do caso na noite de ontem, após acordo com os outros ministros do STF; André Mendonça foi sorteado novo relator.
Damares Alves (Republicanos-DF) disse que a situação torna muito alto o custo de não abrir uma CPI. A senadora afirmou que vai usar este argumento para tentar convencer o centrão a atuar junto a Alcolumbre pela abertura da comissão.
O presidente do Senado está pressionado. Ontem, o Novo entregou um pedido de impeachment de Toffoli. Havia 51 assinaturas, incluindo a do senador governista Paulo Paim (PT-RS). Há ainda várias outras iniciativas para levar Vorcaro e os irmãos do ministro ao Senado para prestar esclarecimentos.
O senador Eduardo Girão (Novo-CE) afirma que não há como Alcolumbre abafar o caso. O parlamentar lembra que o diretor-presidente do Amapá Previdência, Jocildo Lembos, comprou R$ 400 milhões em títulos do Master apesar de alertas de risco. Jocildo é aliado do presidente do Senado e foi indicado por ele ao cargo.
A avaliação é que ficará "muito feio" para Alcolumbre barrar a investigação. Os senadores dizem que a consequência seria um cenário similar ao que Toffoli criou: um clima de suspeição e com indícios de dificultar apurações.
Quem acredita na abertura de comissão de investigação aposta em CPI. Esta ala explica que uma CPI teria apenas senadores e é mais fácil para Alcolumbre determinar seu rumo. Uma CPMI, que tem senadores e deputados, seria mais difícil de controlar.
CPMI já tem assinaturas necessárias, mas também depende de Alcolumbre. A oposição conseguiu atrair parlamentares do centrão até partidos de esquerda ao coletar as assinaturas necessárias para protocolar um pedido de abertura de CPMI do Master.
Para abrir uma CPMI são necessárias 171 assinaturas de deputados e 27 de senadores. A oposição conseguiu unir 237 deputados e 42 senadores. O pedido precisa ser lido por Alcolumbre em uma sessão conjunta, que não foi marcada e nem se sabe se o presidente do Congresso apoia a ideia.
Governistas não assinam CPMI e tentam alternativa. Eles dizem que a proposta, liderada por Carlos Jordy (PL-RJ), visa desgastar o STF.
O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), se apoiou na burocracia ao lembrar que há uma ordem cronológica e 15 requerimentos estão à frente. Ele não demonstrou intenção de mudar a ordem.
Outra ala do Senado tem menos confiança de que o Senado vá investigar o caso. A justificativa é que, além da relação entre Vorcaro e Toffoli, o celular do banqueiro guarda conversas com vários parlamentes.
Parlamentares de oposição já pensam no passo seguinte em caso de abafamento. Eles estudam representar Alcolumbre no Conselho de Ética. Há consciência de não haver chances de perda de mandato. A intenção é causar um constrangimento em ano eleitoral.
Também pode sobrar para o procurador-geral da República. O líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto (PL-PB), afirmou que vai representar contra Paulo Gonet se ele continuar a não agir contra Toffoli.
O parlamentar lembrou que houve pedidos de ação que foram enterrados. Cabo Gilberto citou um requerimento do Novo que pediu a suspeição de Toffoli por causa da proximidade demonstrada com Vorcaro.
Com informações de UOL


