Presidente da CPMI do INSS compra avião por R$ 1,5 milhão

29 de Março 2026 - 07h43
Créditos: Agência Senado

Documentos obtidos pela coluna Tácio Lorran, do Metrópoles, mostram que o presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Instituto Nacional do Seguro Social (CPMI do INSS), Carlos Viana (Podemos-MG), desembolsou R$ 1,5 milhão para comprar um avião por meio da Fazenda Salto Grande Ltda, da qual é sócio-administrador.

A cifra chama a atenção, uma vez que salta 4,5 vezes em relação aos R$ 330 mil pagos pelo proprietário anterior, três anos antes.

Viana adquiriu a aeronave EMB-810D (Seneca III), prefixo PTR-VD, em abril de 2025 e a quitou seis meses depois. Trata-se de um modelo bimotor, produzido em 1984 e registrado para voos privados e para transporte de pequeno porte.

A Fazenda Salto Grande fica em Verdelândia, no norte de Minas Gerais. O capital social da propriedade registrado na Receita Federal é de R$ 400 mil. Em 2024, Carlos Viana declarou patrimônio de R$ 3,5 milhões.

A certidão de inteiro teor não esclarece as razões técnicas ou comerciais para que o preço da aeronave mais que quadruplicasse em três anos. Há o histórico jurídico e os valores declarados nas transações, sem detalhes sobre o estado de conservação ou eventuais melhorias.

O piloto Antonio Tadeu da Silva, que vendeu a aeronave para o presidente da CPMI do INSS, atribuiu a valorização à realização de revisões gerais que estariam pendentes há anos, período em que o avião teria ficado parado por falta de manutenção. Também afirmou que a transação ocorreu por meio de empresas homologadas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e dentro do Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), com intermédio de um site de compra e venda e de um corretor.

Segundo Antonio Tadeu, a revitalização incluiu a compra de peças, a troca de pneus e do painel de instrumentos e a revisão geral dos motores e das hélices, entre outros. “No final, [a manutenção] custou mais do que o valor final vendido.” O piloto disse que o pagamento ocorreu por meio de um depósito bancário e da transferência de um avião monomotor. Quando questionado, não deu detalhes.

O que diz o presidente da CPMI do INSS
Leia a íntegra da nota de Viana:

“A aeronave mencionada foi adquirida de forma regular por pessoa jurídica legalmente constituída, da qual o senador é sócio-administrador. A Fazenda Salto Grande Ltda. é uma empresa do setor agropecuário, constituída em 2022, com atividades privadas e regulares. As quotas da empresa estão devidamente declaradas no Imposto de Renda.

É importante esclarecer que a comparação com a remuneração parlamentar desconsidera rendimentos oriundos de atividades empresariais privadas. A utilização da aeronave está vinculada à atividade privada e à logística operacional da empresa.

Quanto aos valores mencionados sobre custos de manutenção, tratam-se de estimativas genéricas que não refletem a realidade operacional da aeronave. Seguimos à disposição para esclarecimentos adicionais.”

Com informações de Metrópoles