PM que disse “vou matar” autista e rezou já foi investigado por outra morte

27 de Setembro 2026 - 12h12
Créditos: igor-hyppolito-autista-pm-sp

O cabo da Polícia Militar Cauan Alencar Bastos, filmado dizendo que iria matar o eletricista autista Igor Eduardo Hyppolito Rodrigues antes de abrir fogo, já havia sido investigado pela morte de outro homem durante uma abordagem policial, em 2021.

No caso mais recente, Cauan e outro PM afirmaram que Igor teria se “insurgido” contra os militares e que os disparos ocorreram para impedir uma suposta agressão. Imagens de câmeras corporais, porém, registraram outra dinâmica. Antes de sair da viatura, Cauan disse: “peraí que eu vou matar ele, eu vou dar tiro” e, em seguida, abriu fogo. Igor foi atingido e morreu no Hospital de Taipas.

Cinco anos antes, em fevereiro de 2021, Cauan matou Luiz Dionísio de Andrade Filho durante uma tentativa de abordagem no Jaraguá, zona norte de São Paulo. Segundo os policiais, Luiz fugiu de moto, colocou a mão na cintura e representava uma ameaça. Um revólver calibre .32 teria sido encontrado com ele.

Naquele caso, não havia imagens da ocorrência nem testemunhas que tivessem presenciado a ação. O Ministério Público de São Paulo concluiu que Cauan agiu em legítima defesa e pediu o arquivamento do inquérito em dezembro de 2022. A Justiça acolheu o pedido e encerrou o caso.

No episódio envolvendo Igor, as câmeras corporais permitiram confrontar o relato dos policiais com as imagens registradas antes e durante os disparos.