Pesquisadores do Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER) – principal referência do SENAI no Brasil para pesquisa, desenvolvimento e inovação especializada no setor de energias -, começaram a medir, neste fim de semana, o potencial de seis municípios do Rio Grande do Norte para geração solar fotovoltaica, um setor que segue em expansão no estado e que, no país, movimenta mais de R$ 48,5 bilhões em investimentos privados, segundo a Associação Brasileira de Energia Solar (ABSOLAR).

O mapeamento do potencial em possíveis novas áreas de investimentos em território potiguar é desenvolvido pelo Instituto dentro do projeto de execução do Atlas Eólico e Solar do estado, encomendado pelo governo.

Após um ano do início dos trabalhos, a expectativa é que os primeiros resultados sejam divulgados em fevereiro de 2022.

Potencial

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, estima que o potencial de geração offshore do Brasil fique em torno de 317 Gigawatts (GW) – 22 vezes maior que a capacidade instalada em Itaipu, usina hidrelétrica líder mundial em produção de energia limpa e renovável.

Medições já divulgadas pela Petrobras apontam que apenas a Bacia do Rio Grande do Norte e do Ceará tem potencial estimado em 140 GW, o que equivale a 44,16% da capacidade nacional prevista.

Medições na praia

Para o mapeamento de áreas específicas, os pesquisadores do ISI-ER farão medições à beira mar, em praias que serão definidas ao longo do Litoral Norte. “Vamos começar algumas campanhas de medição a partir de julho, o que na prática significa posicionar um Lidar de varredura – equipamento que mede a velocidade e a direção do vento de forma remota, a 150 metros de altura”, diz Antônio Medeiros, do ISI-ER. O Instituto realizou, em 2015, medições semelhantes para a Petrobras, com outros equipamentos instalados em plataformas marítimas.

Os dados gerados terão a função de atrair investidores, sem excluir a necessidade de potenciais projetos executarem suas próprias medições de vento. “A etapa de medição de cada projeto é fundamental para reduzir as incertezas do recurso eólico, pois estamos falando de projetos com cifras na casa de bilhões de reais. Esta etapa é exigida pela EPE”, explica.  O Atlas deverá guiar os grandes players do mercado, possibilitando economia de tempo com estudos de localização e melhor planejamento.

Municípios

O mapeamento inclui os municípios de Pau dos Ferros, Mossoró, Santa Cruz, Nova Cruz, Natal, Lajes e a Estação Experimental de Terras Secas, na divisa dos municípios de Pedro Avelino, Galinhos, Jandaíra e Guamaré. A instalação das estações de medição do potencial solar foi concluída na última sexta-feira para início imediato da coleta dos dados.

O trabalho que resultará no Atlas Eólico e Solar do estado terá como diferencial a entrega de uma plataforma com atualização permanente de informações, uma espécie de grande banco de dados público sobre o potencial de geração potiguar para energias limpas.

A expectativa é que os equipamentos instalados continuem medindo o potencial eólico e solar durante pelo menos três décadas, permitindo a criação de séries históricas públicas que ajudem os empreendedores a fazerem as correlações necessárias para estudos de viabilidade técnica e econômica.