Mulher morre após cirurgia para colocar silicone nos seios

11 de Março 2022 - 06h26
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A Polícia Civil de Piracaia (SP), a 91 km da capital, instaurou inquérito para investigar a morte da corretora de imóveis Natacha Lopes Silvério, 28, após uma cirurgia plástica para colocar próteses de silicone nos seios. A morte cerebral de Natacha foi constatada ontem no hospital Universitário São Francisco de Assis, no município vizinho, Bragança Paulista. 

Segundo o atestado de óbito, após o procedimento, Natacha apresentou insuficiência respiratória aguda, encefalopatia hipóxico-isquêmica (redução de oxigênio no sangue) e tromboembolismo pulmonar - obstrução da artéria pulmonar.

Natacha estava internada desde o dia do procedimento, em 27 de fevereiro. Na cirurgia, a jovem colocou duas próteses de silicone de 380 ml cada, em um centro cirúrgico alugado pelo médico Pietro Petri no Hospital Misericórdia São Vicente de Paula, em Piracaia. 

Segundo o advogado Carlos Henrique da Silva Cabral, que representa a família da corretora, houve negligência durante o procedimento estético. Ele alega que, minutos após a cirurgia, a mulher foi deixada sozinha no centro cirúrgico, onde teria passado mal e sofrido uma parada cardiorrespiratória.

"No prontuário médico diz que, logo após a cirurgia, que durou apenas 35 minutos, a Natacha se queixou de dor de cabeça, mas o médico teria dito que era normal. Não sabemos quanto tempo ela ficou sozinha no centro cirúrgico, mas lá, ela teve uma parada cardiorrespiratória e não se sabe quanto tempo demorou até que fosse socorrida", pontua. 
Ainda segundo o advogado, uma médica que atua no hospital foi quem socorreu e reanimou Natacha. O médico responsável pela cirurgia só teria chegado ao local quando a paciente já estava reanimada.

O advogado explica ainda que Natacha deu entrada sozinha no hospital e não havia comunicado os familiares sobre o procedimento estético. "Não foram solicitados exames cardíacos pré-operatórios. O único exame que ela fez foi um hemograma. Além disso, deveriam exigir que um acompanhante estivesse no local durante a cirurgia", acrescenta o advogado. 

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) explicou que a polícia vem acompanhando o caso e testemunhas já começaram a ser ouvidas. Além disso, também foi solicitado a quebra do sigilo telefônico de Natacha, imagens e documentos do procedimento ao hospital para auxiliar no esclarecimento do fato.

"O caso foi registrado pela polícia como lesão corporal grave, mas já entrei com o pedido de mudança da tipificação, queremos que o médico responda por homicídio culposo", acrescenta o advogado. 

Com informações de UOL