Morre Zuenir Ventura, referência no jornalismo e membro da ABL

22 de Setembro 2026 - 11h39
Créditos: Divulgação

O jornalista Zuenir Ventura morreu aos 95 anos nesta terça-feira (22). Durante mais de seis décadas de atuação no jornalismo, Zuenir construiu uma obra marcada pela cobertura de episódios políticos e temas sociais relevantes do país. Zuenir deixa a mulher, Mary Ventura, e os dois filhos, o jornalista Mauro Ventura e a editora Elisa Ventura.

"Morreu esta manhã, em casa, aos 95 anos, em decorrência de uma pneumonia, o jornalista e Acadêmico Zuenir Ventura. Seu corpo será velado amanhã na Academia Brasileira de Letras e enterrado no mausoléu da ABL no Cemitério São João Batista", comunicou em nota a Academia Brasileira de Letras (ABL).

Imortal da Academia Brasileira de Letras, ele era o sétimo ocupante da Cadeira n.º 32, sendo eleito no dia 30 de outubro de 2014, na sucessão do Acadêmico Ariano Suassuna.

Natural de Além Paraíba, interior de Minas Gerais, Zuenir Ventura foi pintor de parede, office-boy, jogador de basquete, arquivista, professor universitário e jornalista. Teve como professores grandes literatos, como Manuel Bandeira, Alceu Amoroso Lima e Cleonice Berardinelli.

Em 1988, Zuenir Ventura lançou o livro "1968 - o ano que não terminou". A obra serviu também de inspiração para a minissérie “Os anos rebeldes”, produzida pela TV Globo. O capítulo “Um herói solitário” inspirou o filme O homem que disse não, que o cineasta Olivier Horn realizou para a televisão francesa.

No início de 1989, Zuenir Ventura foi ao Acre como repórter especial para investigar o assassinato de Chico Mendes. Da cobertura surgiu uma série de reportagens premiada e uma história pessoal que ele costumava citar como uma das heranças mais marcantes daquela experiência.

'Cidade Partida'
Publicado em 1994, "Cidade Partida" tornou-se uma das obras mais marcantes de Zuenir Ventura. Vencedor do Prêmio Jabuti, o livro examina a violência, a desigualdade e a profunda divisão social do Rio de Janeiro a partir da experiência do jornalista em Vigário Geral, cenário da chacina que matou 21 pessoas em 1993. A obra consolidou-se como uma referência na reflexão sobre os contrastes e conflitos que marcam a cidade.

Zuenir venceu os dois maiores prêmios de jornalismo do Brasil: o Prêmio Esso e o Vladimir Herzog.

Em 2008, ele recebeu da ONU um troféu especial por ter sido um dos cinco jornalistas que “mais contribuíram para a defesa dos direitos humanos no país nos últimos 30 anos”.

A convite de João Moreira Salles, Zuenir Ventura ampliou sua atuação para o audiovisual. Ele participou da codireção de "Um Dia Qualquer", lançado em 2000, e assinou o roteiro de "Paulinho da Viola: Meu Tempo é Hoje", documentário dirigido por Izabel Jaguaribe que chegou aos cinemas em 2003.

Com informações de g1