
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes enviou quatro mensagens de visualização única – que se destroem logo depois de serem vistas – ao banqueiro Daniel Vorcaro em 17 de novembro de 2025, dia de sua prisão. Elas foram enviadas às 8h16, 17h31, 20h21 e 20h23. As últimas foram remetidas ao banqueiro poucas horas antes de o dono do banco Master ser preso. Vorcaro seria detido pela Polícias Federal no aeroporto de Guarulhos na noite daquele dia tentando ir para Malta, na Europa.
A íntegra da troca de mensagens está em relatório da Polícia Federal na operação Compliance Zero concluído na quinta-feira da semana passada (27/8).
As mensagens do ministro são em resposta a perguntas do banqueiro enviadas a ele a partir das 7h19 da manhã daquele dia. Nesse horário, Vorcaro enviou uma foto de visualização única ao ministro. Moraes respondeu com outra foto às 8h16. O banqueiro mandou mais quatro fotos, às 17h22, 17h26, 20h04 e 20h48min, na proximidade de sua prisão.
A PF não conseguiu identificar o conteúdo de todas as imagens, mas descobriu que as imagens apagadas de Vorcaro eram fotos de textos que ele mandava ao ministro.
Às 7h19 da manhã, o banqueiro afirma ao ministro do STF que tentava antecipar aos investidores seus planos para salvar o banco Master e vendê-lo.
Às 17h22, Vorcaro continuou a escrevear a Moraes sobre a negociação para vender o Master e se livrar das dívidas: “Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Fiz o que deu, vou anunciar parte da transação”.
Na sequência, às 17h26, o banqueiro pegunta a Moraes: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”
Moraes responde às 17h31. Não se sabe o conteúdo da foto.
Às 20h48, Vorcaro, que se diriga a Malta, avisa a Moraes: “Tô indo assinar com os investidores de fora e estou online”. O banqueiro seria preso pela primeira vez depois.

A troca de mensagens permite verificar que, pouco mais de um mês antes da prisão, Moraes enviou quatro mensagens a Vorcaro em 1.o de outubro de 2025. Elas foram apagadas automaticamente porque, desde 17 de setembro de 2025 estavam configuradas para se destruírem em 24 horas, anotam os agentes.
Metrópoles