Ministério Público da Bolívia ordena prisão do ex-presidente Evo Morales por “terrorismo”

30 de julho 2026 - 06h49
Créditos: Reprodução X

 

O Ministério Público da Bolívia expediu na quarta-feira (29) uma nova ordem de prisão contra o ex-presidente Evo Morales, sob a acusação de crimes de “terrorismo” e “levante armado”. A investigação relaciona o ex-chefe do Executivo aos protestos e bloqueios de rodovias que paralisaram o país por mais de 50 dias de maio a junho.

O procurador-geral do Estado, Roger Mariaca, confirmou a medida, segundo o Visión360. O mandado foi expedido pelo procurador Brayan Melgar e deriva de uma ação apresentada no início de julho pelo Comitê Cívico Pró-Santa Cruz.

Morales afirmou no X que o governo do presidente Rodrigo Paz (Partido Democrata Cristão, centro-direita) tenta responsabilizá-lo pelas mobilizações para desviar a atenção da situação econômica e social do país. Segundo ele, a população enfrenta falta de combustível, alta do custo de vida, insegurança e aumento do narcotráfico.

“Não vão nos intimidar. Continuaremos lutando ao lado do povo, como sempre fizemos, com a convicção de que a Bolívia merece um caminho diferente: o da dignidade, da soberania, da justiça social e da recuperação da esperança para todas e todos”, declarou.

Na publicação, Morales disse que sua posição sempre esteve “ao lado de quem sofre” e afirmou que processos e perseguições políticas não resolverão os problemas que atribui ao governo.

Os protestos começaram em maio e chegaram a registrar mais de 80 bloqueios. Foram realizados como reação a medidas econômicas e a uma lei sobre propriedades rurais. As interdições atingiram o abastecimento de alimentos, combustíveis e medicamentos. Em junho, Paz decretou estado de exceção e autorizou o emprego das Forças Armadas na liberação das estradas.

Este é o 2º mandado de prisão em vigor contra Morales. A polícia já o procurava por um processo que investiga eventual tráfico de pessoas relacionado a uma menor de idade. Ele nega a imputação e afirma ser alvo de perseguição política.

Com informações de Poder 360