Lula muda de posição e diz ser favorável à redução da maioridade penal para 16 anos

16 de Outubro 2026 - 07h13
Créditos: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou, nesta quinta-feira (15), ser favorável à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. A afirmação foi feita durante entrevista à TV Globo e representa uma mudança em relação à posição que o presidente e seu partido historicamente adotaram sobre o tema.

Apesar de defender a redução, Lula afirmou que a discussão não deve ocorrer no âmbito da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que tramita no Senado. O tema provocou divergências entre aliados do governo e integrantes da oposição nesta quinta-feira (15), que levou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a retirar a proposta da pauta e adiar a votação.

“Eu sou favorável a reduzir [a maioridade penal] para 16 anos, mas não discutindo nessa PEC, porque ela não é para isso. Eu acho que a sociedade brasileira inteira é favorável à punição de qualquer crime hediondo”, afirmou Lula.

A redução da maioridade penal também é defendida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário de Lula na disputa presidencial. Durante a entrevista, o presidente afirmou que pretende criar o Ministério da Segurança Pública caso a PEC seja aprovada. “Queremos asfixiar o crime e libertar territórios para que não haja donos de ruas”, declarou.

Presidente assume responsabilidade pela avaliação do governo

Lula também foi questionado sobre a avaliação negativa de sua gestão, que, segundo a entrevista, estava na casa dos 50%. O presidente assumiu a responsabilidade pelos resultados do governo e afirmou que não pretende atribuir a terceiros uma eventual falta de compreensão da população sobre suas ações.

“Eu acho que a responsabilidade é toda minha. Eu sou o governo. Então, se eu não conseguir ser compreendido pela sociedade brasileira, eu não posso ficar jogando a culpa em ninguém, tenho que jogar a culpa em mim”, declarou.

Durante a entrevista, o presidente justificou o reajuste de 15,04% no Bolsa Família às vésperas das eleições. Ele afirmou que não sabia que o benefício não havia sido corrigido e que determinou o aumento após tomar conhecimento da situação em uma reunião com ministros.

“Eu tomei a decisão: a gente vai dar tudo o que a gente não deu”, disse.

O presidente também garantiu que, se for reeleito, manterá a política de reajuste do salário mínimo acima da inflação. Ao comentar o crescimento da relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB), admitiu preocupação com a situação fiscal do país.

“É lógico que estou preocupado. Eu criei uma família com cinco filhos, eu sei o que é dívida. Sei que se a gente perder o controle do nosso orçamento, a coisa quebra, e vai quebrar do lado mais pobre”, afirmou.

Lula voltou a defender o estímulo ao consumo como estratégia para impulsionar a economia. “Eu tenho divergência com os economistas. Muito dinheiro na mão de poucos é pobreza”, declarou.

Com informações do Estadão

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