Governo Lula negou ajuda das Forças Armadas para operações contra o tráfico, diz governador do RJ

28 de Outubro 2025 - 17h13
Créditos: Reprodução

O governador Cláudio Castro (PL-RJ) afirmou que o governo Lula (PT) negou três pedidos de apoio das Forças Armadas para operações contra o tráfico no Rio de Janeiro. Por isso, a megaoperação desta terça-feira (28), que mira cerca de 100 líderes do Comando Vermelho nos complexos da Penha e do Alemão, foi feita apenas com forças estaduais. Até agora, 81 pessoas foram presas.

Castro disse que o estado “está sozinho nessa guerra” e que o governo federal se recusa a ceder equipamentos, alegando falta de GLO (Garantia da Lei e da Ordem).

“Não foram pedidas desta vez [as Forças Armadas] poque já tivemos três negativas, então já entendemos a política de não ceder. Falaram que tem que ter GLO [Operação de Garantia da Lei e da Ordem], que tem que ter isso, que tem que ter aquilo, que podiam emprestar o blindado, e que depois não podia mais emprestar porquê o servidor que opera o blindado é um servidor federal, então tinha que ter GLO, e o presidente já falou que é contra GLO. Cada dia nós temos uma razão, pra não ser mal educado, de não emprestar e de não estar colaborando”, disse Castro em uma entrevista coletiva no final da manhã.

O governador também admitiu que o estado pode estar “excedendo suas competências”, mas que continuará agindo. “Se for preciso exceder mais, excederemos na missão de servir e proteger nosso povo”, declarou.

Durante a coletiva, Castro disse ter enviado ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) um plano de retomada de áreas dominadas pelo crime, que será executado por fases e depende de validação do STF para liberação de recursos federais.

Ele criticou ainda a politização da segurança pública, citando a “ADPF das Favelas”, ação do PSB que restringiu o uso de helicópteros em operações policiais. “Passamos cinco anos sem poder usar helicóptero com plataforma de tiro, e agora vemos drones com bombas nas mãos de criminosos, e ninguém se manifesta”, reclamou.

Por fim, Castro disse esperar que o STF acelere a análise do plano e que a decisão promova uma integração forçada entre as políticas de segurança estadual e federal. Todos os batalhões da capital, segundo ele, estão em alerta para possíveis represálias do tráfico.

Ministério afirma que tem atendido pedidos do governo do RJ

Em nota à imprensa, o Ministério da Justiça afirmou que "tem atendido, prontamente, a todos os pedidos do Governo do Estado do Rio de Janeiro para o emprego da Força Nacional no Estado, em apoio aos órgãos de segurança pública federal e estadual. Desde 2023, foram 11 solicitações de renovação da FNSP no território fluminense. Todas acatadas."

"No âmbito da Polícia Federal (PF), só em 2025, foram realizadas 178 operações no Estado do Rio de Janeiro, sendo 24 delas relacionadas a tráfico de drogas e armas. Ao todo, foram 210 prisões efetuadas, das quais 60 estão diretamente relacionadas a investigações sobre o tráfico de drogas e armas", diz o documento.

O ministério afirma ainda que tem enviado recursos ao governo do Rio "para investir no sistema penitenciário e na segurança pública." 

Confira trecho da nota:

"Além disso, o estado tem sido atendido com doações de equipamentos, como veículos, computadores, drones, coletes e munições, que somam aproximadamente R$ 10 milhões.
 
O MJSP informa ainda que, no âmbito da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), tem desenvolvido uma série de iniciativas com o Governo do Rio de Janeiro,  como a integração do Estado à Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim) e à Rede Nacional de Recuperação de Ativos de Facções Criminosas (Recupera).
 
Além disso, o MJSP e o Governo do Rio de Janeiro firmaram acordo de cooperação técnica para a criação da Célula Integrada de Localização e Captura de Foragidos, com foco na identificação, localização e prisão de criminosos de outras unidades da federação que se refugiam em comunidades fluminenses. A Célula realiza o cruzamento e análise de bancos de dados policiais e judiciais, a integração de mandados de prisão nacionais, com base na Lista dos Procurados do SUSP e na Matriz de Risco Nacional, e a coordenação de operações conjuntas de captura de criminosos prioritários.
 
O MJSP e o Governo do Rio de Janeiro também firmaram acordo para a criação do Comitê de Inteligência Financeira e Recuperação de Ativos (CIFRA), com foco na descapitalização das organizações criminosas, mediante inteligência financeira, recuperação de ativos e assessoramento especializado em investigações de lavagem de dinheiro. Até setembro de 2025, o CIFRA havia analisado 59 Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) emitidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), envolvendo operações com mais de R$ 65 bilhões em valores suspeitos, com 423 documentos produzidos e difundidos entre os anos de 2024 e 2025.
 
Ainda, em 5 de fevereiro deste ano, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, esteve no Ministério da Justiça e Segurança Pública para uma reunião com o ministro Ricardo Lewandowski. À ocasião, o ministro atendeu a um pedido do Estado e ofereceu dez vagas em presídios federais para alocar lideranças criminosas do Rio de Janeiro."

Com informações de Gazeta do Povo