Governo Dilma é apontado como responsável por 50% do déficit no fundo dos Correios, diz Estadão

22 de Agosto 2024 - 11h05
Créditos: Fernando Frazão/Agência Brasil

A maior parte do prejuízo total do fundo de pensão dos Correios, o Postalis, foi causado por operações realizadas entre 2011 e 2016, durante o governo Dilma Rousseff. É o que afirma o jornal O Estado de S.Paulo, em seu editorial desta quinta-feira (22).

A direção da estatal firmou contrato de confissão de dívida com o fundo, em que concordou em pagar R$ 7,6 bilhões — metade dos R$ 15 bilhões que acumula. Desse número, R$ 9,1 bilhões teriam sido fruto de gastos do governo petista, segundo o jornal.

“Desnecessário frisar como é descomunal o volume de recursos jogados no ralo da incúria, em negócios mal administrados e em fraudes no Postalis”, afirma o Estadão. O rombo é superior ao patrimônio total de 225 dos 236 filiados à Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp).

“Aposentados e pensionistas, sem culpa nos malfeitos, arcarão com a outra metade do prejuízo, com descontos que chegam a ultrapassar um terço do valor dos benefícios”, diz a publicação.

Mas eles não estarão sozinhos no infortúnio. Aposentados e pensionistas da Petros (dos funcionários da Petrobras) e da Funcef (da Caixa) também tiveram cortes de benefícios para sanar os prejuízos de uma época em que o capital de suas caixas de previdência foi usado com o propósito prioritário de atender aos interesses do lulopetismo e partidos aliados.

Os Correios, por exemplo, foram território fechado para o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e o então Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Segundo o veículo, os desmandos no Postalis deixaram a situação tão crítica que foram suspensas novas adesões de participantes.

Das grandes entidades patrocinadas por estatais, somente a Previ, do Banco do Brasil, não entrou na roda da decadência. Mas participou, como as demais, dos projetos lulopetistas.

Previ, Postalis, Funcef e Petros entraram, por exemplo, como sócios da Sete Brasil, idealizada pelo governo petista para intermediar as encomendas de equipamentos do pré-sal, mas que nada entregou a não ser um prejuízo bilionário.

“Sob o governo Dilma Rousseff, o Postalis vendeu títulos da dívida pública do Brasil e comprou títulos da Venezuela e da Argentina em 2014, um negócio que qualquer iniciante sabia ser um grande mico”, afirma o Estadão.

A intervenção no Postalis aconteceu ao final de 2017, no governo Michel Temer, depois que órgãos reguladores do Brasil e dos Estados Unidos concluíram ter havido má gestão e fraude.

De acordo com o jornal, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que já aplicou inúmeras multas a administradores do fundo, ainda hoje investiga irregularidades. Há dois meses, retomou julgamento de suposta operação fraudulenta em fundos de investimentos administrados pelo Postalis e multou os acusados em mais de R$ 21 milhões.

A intervenção durou até dezembro de 2019, sob a gestão de Jair Bolsonaro (PL), com a substituição do interventor da Previc, que fiscaliza os fundos de pensão, por um general. Sob Lula, um sindicalista passou a ocupar o cargo. “Como se vê, nenhum dos dois estava genuinamente preocupado em corrigir os rumos”, afirma o Estadão.

Por outro lado, o ministro da Economia de Bolsonaro, Paulo Guedes, incluiu os Correios na lista de estatais privatizáveis.

“O projeto para autorizar a operação chegou a ser encaminhado pelo Executivo ao Congresso, mas abortar a privatização foi uma das primeiras providências de Lula da Silva ao assumir o terceiro mandato”, diz o texto.

“A estatal é hoje deficitária e durante as gestões anteriores do PT chegou a ter congeladas as tarifas postais, uma prática que foi relativamente comum na gestão Dilma, que conteve preços de combustíveis e de energia elétrica, acionando o gatilho de bombas inflacionárias de efeito retardado cujos efeitos ainda não cessaram”, conclui o jornal.

Fonte: Revista Oeste