Vice-artilheiro do Brasil em 2020 - ao lado de Gabigol - com 11 gols, Paulo Sérgio vive a melhor fase da carreira. O começo de destaque no Cascavel fez o atacante ir para o ABC-RN antes do final do Paranaense.

Na equipe potiguar ele é conhecido como 'El Pistolero' - mesmo apelido de Luis Suárez, do Barcelona - e rapidamente caiu nas graças do torcedor.

Em uma entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, o jogador de 30 anos revela se guarda mágoa da passagem pelo Flamengo, o sonho de voltar á Série A do Brasileiro e a admiração por Rogério Ceni que foi seu treinador no Fortaleza.

Veja a entrevista na íntegra:

Você começou o ano no Cascavel-PR antes de ir ao ABC-RN...
Eu fui para o Cascavel porque o Fernando Leite, que montou o time, me deu ótimas informações. Nós tínhamos trabalhado juntos no Paraná e aceitei o desafio. Eu sabia que estávamos montando um grande elenco e o time terminou em segundo.

Por que trocou de time?
Eu era artilheiro do campeonato e surgiu a chance de ir para o ABC, era uma proposta legal. Queria uma visibilidade em um clube de massa no Nordeste. Fui focado, treinando bastante e estava sentindo que seria um ano diferente. Eu treino muito nas férias e as coisas aconteceram.

Como foi a chegada ao ABC-RN?
Estreei em clássico na final contra o maior rival (América-RN) e fomos campeões. Tudo começou muito bem e dei sequencia antes da parada por causa do coronavírus.

Ainda sonha em jogar uma Série A de Brasileiro?
Tenho expectativas grandes. Comecei a carreira em um clube gigante como o Flamengo e subi aos profissionais com 17 anos, quando estreei e joguei Libertadores. Fiz meu primeiro gol em um clássico no Maracanã. Tive uma passagem muito boa pelo Flamengo e consegui muita bagagem. Hoje estou muito mais maduro e me ajudou muito por tudo que passei. Me sinto no melhor momento. Espero ainda jogar muitos anos e meu sonho ainda é jogar uma Série A do Brasileiro. Estou em busca disso.

Você já foi uma das maiores promessas do Flamengo....
Eu cheguei ao Flamengo aos 9 anos na base e saí aos 23, quando meu ciclo se encerrou. Fiquei somente três meses nos juniores. Eu pulei etapas e subi bem cedo. Lembro que estreei no profissional no jogo contra o Friburguense fora de casa pelo Carioca dia 1º de abril. Entre no lugar do Leonardo no intervalo. Sofri a falta do gol da vitória do Léo Medeiros. Depois disso, o Ney Franco e os diretores me falaram que iria permanecer no time de cima.

E como foi?
Para mim foi o mundo! Um garoto nascido e criado na comunidade, Na época ganhava uns R$ 900. Subi na frente de vários atacantes que eram destaque da base. Eu cheguei a descer uma vez para jogar a Copa São Paulo e a Copa RS.

Por que saiu do Fla?
Saí no começo de 2013, mas tinha contrato até junho. Em janeiro eu não estava na lista de quem iria pra pré-temporada e pedi para fazer um acordo com a diretoria para sair. Eu confiava em mim e precisava jogar para mostrar meu trabalho. Fiz um acordo com o Paulo Pelaipe e sai para viver minha vida e voar.

Tem mágoa?
Não, sou muito grato ao Flamengo que me revelou e me formou como jogador e homem. Torço para que sempre conquistem títulos.

Você rodou por vários clubes até conseguir um acesso pelo Fortaleza...
Eu trabalhei com o Paulo Bonamigo no Fortaleza e subimos para a Série B do Brasileiro e eu tinha ido bem. No ano seguinte, ele foi para a Arábia quando chegou o Rogério Ceni. Eu tinha feito gols nos amistosos e formei uma boa dupla com o Gustagol. Eu saí porque o Bonamigo me chamou e a proposta era muito boa financeiramente.

Você ficou dividido?
Eu queria muito trabalhar com o Rogério Ceni porque ele dava muita moral, me dava oportunidades e conversava bastante comigo. Ele tentou muito me segurar lá, mas eu pedi para sair. Fottaleza foi campeão da Série B e ficou aquele gostinho, mas é um clube que tenho muito carinho e queria muito voltar e pudesse. Fiz grandes amizades, torcida é maravilhosa e desejo sucesso ao Rogério.

Como foi trabalhar com o Ceni?
Ele é muito profissional e um ótimo ser humano. Ele é muito educado e falava com todos os funcionários do clube. Foi muito bem acolhido e os resultados falam por si só. Rolou uma química entre ele e o clube. Não repete treinamentos, é muito moderno. Entende o lado dos jogadores, até mesmo de quem não está jogando se sente bem e útil. Deu para perceber que é um cara espetacular e tem tudo para fazer uma carreira como técnico tão vitoriosa quanto foi a de jogar.

Você chegou a ficar desempregado depois de jogar na Arábia?
Eu voltei da Arábia, mas não queria ficar no Brasil. Chegaram umas propostas que não me agradaram e fiquei sem clube por alguns meses em 2018. Tem clubes que não respeitam o atleta e acham que podemos aceitar qualquer oferta. Eu fiquei seis meses em casa antes de ir ao Juventude.

Você vive hoje o melhor momento da carreira?
Esse é o meu ano e acho que é o meu melhor momento na carreira, os números não mentem. São 11 gols em 12 jogos. Eu nunca tive dúvidas do meu potencial. O que me atrapalhou foi que nunca conseguia pegar um Estadual desde o começo porque ficava fora do país. Eu sabia que se começasse bem um ano sem lesão e com um treinador que me desse moral as coisas aconteceriam.