Criminosos usam devolução do banco para aplicar novo golpe do PIX

07 de Junho 2026 - 16h35
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O crescimento acelerado do Pix no Brasil continua sendo acompanhado pelo surgimento de novas modalidades de fraude. Somente em um único dia, o Banco Central registrou 224 milhões de transferências realizadas pelo sistema, demonstrando a enorme adesão da população à ferramenta de pagamentos instantâneos. No entanto, a popularização do serviço também abriu espaço para golpes cada vez mais sofisticados, incluindo esquemas que utilizam recursos legítimos do próprio sistema bancário para enganar usuários.

Uma das fraudes mais recentes tem chamado a atenção por explorar justamente o Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado para auxiliar vítimas de golpes e transações fraudulentas. Nesse caso, criminosos transformam a ferramenta de proteção em uma forma de obter vantagens indevidas.

O chamado golpe do “Pix errado” segue uma estratégia específica. Primeiro, o golpista realiza uma transferência para a conta da vítima. Em seguida, entra em contato alegando que enviou o valor por engano e solicita a devolução do dinheiro. O detalhe está no pedido para que o ressarcimento seja feito para uma conta diferente daquela que realizou a transferência original.

Quando a vítima faz uma nova transferência manual para a conta indicada, o criminoso utiliza o MED junto à instituição financeira, alegando ter sido alvo de fraude. Dessa forma, consegue receber tanto o valor enviado pela vítima quanto o possível ressarcimento decorrente da solicitação ao banco.

Desde fevereiro de 2026, o Banco Central ampliou o rastreamento das movimentações financeiras realizadas pelo sistema, permitindo acompanhar toda a cadeia de transferências para identificar operações suspeitas e valores movimentados entre contas utilizadas em esquemas fraudulentos. Ainda assim, a fraude depende de um erro simples do usuário: não utilizar a função oficial de devolução disponível no aplicativo bancário.

Outra modalidade que vem sendo utilizada é o golpe do Pix Agendado. Nesse caso, o criminoso apresenta um comprovante de agendamento que visualmente se parece com uma transferência concluída. A vítima acredita que recebeu o pagamento e libera um produto, serviço ou negociação. Pouco depois, o fraudador cancela o agendamento e o dinheiro nunca chega à conta do destinatário.

Como a transação não é efetivada, o MED não pode ser acionado nesse tipo de situação. Isso torna a prevenção ainda mais importante, já que não há possibilidade de utilizar o mecanismo para tentar recuperar valores inexistentes.

Além dessas práticas, continuam frequentes os golpes envolvendo clonagem de contas de WhatsApp. Após assumir o controle do aplicativo de uma pessoa, criminosos enviam mensagens para familiares e amigos solicitando transferências urgentes via Pix. A confiança existente entre os contatos costuma facilitar o sucesso da fraude.

Outro método citado envolve a instalação de programas maliciosos em celulares, permitindo que criminosos acessem aplicativos bancários remotamente e realizem transferências sem autorização do titular da conta.

O Banco Central também alerta que o cadastro de chaves Pix não é realizado por telefone. Qualquer ligação solicitando esse procedimento deve ser encarada como tentativa de golpe.

Nos casos em que uma fraude envolve uma transferência efetivamente concluída, a vítima pode solicitar a devolução por meio do MED em até 80 dias após a operação. Entretanto, quando o assunto é devolução de um Pix recebido por engano, a orientação é clara: utilizar exclusivamente a função de devolução disponível no extrato bancário, direcionando o valor para a conta de origem.

Entre as principais recomendações do Banco Central estão confirmar diretamente no aplicativo bancário se o pagamento foi concluído antes de entregar produtos ou prestar serviços, desconfiar de comprovantes enviados por aplicativos de mensagens, nunca registrar chaves Pix por telefone e utilizar sempre os canais oficiais para devoluções. Embora o rastreamento das operações tenha sido aprimorado, a principal proteção continua sendo a atenção do usuário no momento da transação.

R7