Retatrutida nem foi lançada, mas remédio falso já engana consumidores

21 de Dezembro 2025 - 07h15
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A retatrutida é uma molécula ainda em testes para tratamento de obesidade e distúrbios metabólicos. Os estudos clínicos mostram perda de mais de 28% do peso corporal, o que atraiu atenção científica e alimentou um mercado ilegal, com canetas falsificadas vendidas na internet por R$ 2,1 mil a R$ 3 mil, mesmo sem registro, sem fabricação industrial e antes de ter nome comercial.

A fabricante Eli Lilly, criadora da molécula, e autoridades sanitárias alertam que toda venda é falsa e que não é possível saber o que há dentro das canetas aplicadas por consumidores.

A retatrutida combina três hormônios ligados ao apetite e metabolismo: GLP-1 (presente em Ozempic e Wegovy), GIP (parte do Mounjaro) e glucagon, ainda inédito em “canetas emagrecedoras”. Os resultados têm sido expressivos, mas não há aprovação da Anvisa nem de qualquer agência internacional.

A demora regulatória abriu espaço para falsificações. Alguns vendedores usam nomes adulterados — retratutida, retratutide — e afirmam importar da Europa, onde o produto também não foi submetido a avaliação. A farmacêutica Érica Silva alerta que muitas canetas contêm insulina reembalada, com risco de contaminação, ou substâncias placebo sem benefício e sem controle sanitário.

Segundo a Eli Lilly, a molécula está em ensaios clínicos de fase 3, sem previsão de lançamento. Especialistas estimam que o pedido à Anvisa possa ocorrer a partir de 2026.

Mesmo assim, autoridades já apreenderam falsificações. Em junho, uma passageira foi presa no Aeroporto de Salvador com 60 unidades de Synedica Retatrutide, supostamente trazidas da Europa. O CFF alertou para riscos imprevisíveis e ausência de garantia de segurança ou eficácia.

Apesar disso, a marca Synedica segue anunciando o produto no Brasil, por R$ 1,8 mil a dose, admite não ter registro na Anvisa e afirma ter 2,9 mil clientes. A dosagem oferecida (40 mg) ultrapassa em muito os testes clínicos, que chegam a 12 mg.

Outro alvo de falsificação é o Mounjaro (tirzepatida), também da Eli Lilly. A empresa analisou amostras ilegais e encontrou bactérias, impurezas elevadas, alteração de cor e composição química diferente, em alguns casos contendo apenas álcool de açúcar.

A orientação é que medicamentos sejam adquiridos apenas em farmácias autorizadas, pois produtos clandestinos expõem pacientes a efeitos colaterais e riscos graves. A Eli Lilly reforça que todos os fármacos passam por testes rigorosos e aprovação regulatória, o que não ocorre com produtos manipulados ou falsificados.