PF diz que Vorcaro sabia de investigação antes da operação

11 de Setembro 2026 - 08h39
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A Polícia Federal (PF) identificou, ainda em novembro de 2025, indícios de que o banqueiro Daniel Vorcaro teria tomado conhecimento antecipado da investigação envolvendo o Banco Master antes da operação que levou à sua prisão.

As informações foram reveladas após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo de 15 procedimentos relacionados ao chamado caso Master. A decisão ocorreu na noite de quinta-feira (10), após um pedido do presidente da Corte, Edson Fachin.

Parte do material, entretanto, permanece sob sigilo, principalmente informações relacionadas a diligências que ainda estão em andamento. A apuração envolve diferentes agentes políticos e investiga suspeitas relacionadas ao Banco Master.

De acordo com a Polícia Federal, Vorcaro não teria conhecimento apenas da existência do inquérito. A corporação afirma ter encontrado indícios de que o banqueiro também sabia detalhes sobre a estrutura responsável pela investigação.

Em um pedido de prorrogação do inquérito apresentado em novembro de 2025, a delegada responsável pelo caso afirmou que havia indícios de que Vorcaro conhecia a vara judicial responsável pelo processo, o nome do juiz e integrantes da equipe de investigação.

Para a PF, o acesso antecipado a essas informações, que deveriam estar protegidas por sigilo, reforçava a suspeita de que o banqueiro poderia tentar deixar o país para evitar uma eventual prisão.

O documento, contudo, não esclarece como Vorcaro teria obtido essas informações nem aponta quem poderia ter repassado os dados ao banqueiro. Também não há indicação de que ele soubesse a data exata em que a operação seria deflagrada.

Caso aumenta tensão dentro do STF

A divulgação dos documentos ocorre em meio a uma escalada de tensão no Supremo Tribunal Federal envolvendo investigações relacionadas ao Banco Master e contatos entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.

Nos últimos dias, Mendonça tornou públicos documentos da Polícia Federal e encaminhou o material para análise do plenário do STF. A Procuradoria-Geral da República (PGR), por outro lado, questionou a legalidade da apuração.

Moraes também acusou Mendonça de irregularidades na condução das investigações.

A disputa chegou ainda à cúpula da Polícia Federal. Mendonça havia determinado o afastamento de integrantes da direção da corporação, entre eles o diretor-geral Andrei Rodrigues. A decisão, porém, foi posteriormente revertida pelo ministro Flávio Dino.

Diante do conflito entre as decisões, Edson Fachin suspendeu as determinações dos dois ministros e estabeleceu que procedimentos envolvendo integrantes do STF deverão passar previamente pela Presidência da Corte.

Com informações de CNN