Medo de ficar de fora: como a FOMO pode afetar autoestima, sono e qualidade de vida

12 de Agosto 2026 - 10h01
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Uma viagem que você não fez, a festa para a qual não foi convidado, o encontro dos amigos, uma conquista profissional ou até aquela rotina aparentemente perfeita. Bastam alguns minutos nas redes sociais para surgir a impressão de que todo mundo está aproveitando mais a vida. Por trás desse incômodo pode estar a FOMO, sigla em inglês para Fear of Missing Out, expressão bastante atual que significa “medo de ficar de fora” ou de estar perdendo alguma coisa.

A psicóloga da Hapvida Verônica Lima explica que a FOMO não é uma doença ou um diagnóstico clínico específico, mas um fenômeno comportamental contemporâneo que pode provocar sofrimento e interferir na rotina. “É aquela sensação de que as outras pessoas estão vivendo experiências melhores ou mais interessantes e de que precisamos estar constantemente conectados para não perder nada. Isso pode gerar ansiedade, insatisfação e uma necessidade excessiva de acompanhar o que os outros estão fazendo”, explica ela.

As redes sociais podem potencializar esse comportamento. Afinal, como ressalta a psicóloga, o que aparece na tela geralmente é uma seleção de bons momentos: viagens, festas, conquistas profissionais, relacionamentos felizes, corpos considerados perfeitos e experiências que parecem extraordinárias. A exposição frequente a esses recortes, afirma Verônica, pode favorecer comparações e contribuir para uma percepção negativa da própria realidade.

“Quando comparamos a nossa vida inteira com os melhores momentos que alguém escolheu publicar, essa comparação se torna injusta. A pessoa pode começar a acreditar que está ficando para trás ou que sua vida não é suficientemente interessante, mesmo que aquilo que vê nas redes represente apenas uma pequena parte da realidade do outro”, destaca a profissional.

Quando o medo de ficar de fora afeta a saúde
Verônica Lima alerta que o problema ganha maior dimensão quando a necessidade de acompanhar o que acontece nas redes começa a interferir no dia a dia. Ansiedade, irritabilidade, dificuldade de concentração, frustração, baixa autoestima e sensação de inadequação podem surgir ou se intensificar.

Os impactos também podem ser físicos, pontua ela. O hábito de permanecer conectado até tarde, por exemplo, pode prejudicar a qualidade do sono e provocar cansaço e sonolência durante o dia. Já a ansiedade associada à necessidade constante de acompanhar as redes pode estar relacionada a manifestações como tensão muscular, dores de cabeça, palpitações e desconfortos gastrointestinais.

Outro sinal de alerta é a dificuldade de aproveitar o momento presente. A psicóloga dá o exemplo: a pessoa está em uma confraternização, em família ou descansando, mas continua verificando o celular para saber o que está acontecendo em outros lugares.

“É importante observar quando estar conectado deixa de ser uma escolha e passa a ser uma necessidade que gera angústia. Conferir o celular repetidamente, sentir ansiedade quando não consegue acessar as redes ou perceber prejuízos no sono, nos relacionamentos, no trabalho ou nos estudos são sinais que merecem atenção”, orienta ela.

Como reduzir a FOMO e ter uma relação mais saudável com as redes
Diminuir a FOMO não significa necessariamente abandonar as redes sociais. Verônica sugere estabelecer períodos longe das telas, evitar o celular próximo ao horário de dormir, silenciar notificações e reduzir a exposição a perfis e conteúdos que despertam comparações negativas como algumas atitudes que podem contribuir para uma relação mais saudável com o ambiente digital.

Ela pontua também que é importante fortalecer as experiências fora das telas e lembrar que as redes sociais mostram apenas uma parcela da vida das pessoas.

“Não precisamos participar de tudo, saber de tudo ou estar disponíveis o tempo inteiro. É importante reconhecer os próprios limites e entender que não estar em determinado lugar ou não acompanhar tudo o que acontece não significa estar perdendo a vida”, completa a psicóloga.

Reconhecer esses sinais é também entender quando a relação com as redes deixou de ser saudável e quando já é hora de buscar ajuda profissional.