Créditos: Antonio Augusto/STF
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou na segunda-feira (22), que há uma "impropriedade" e um "erro crasso" no relato feito pelo ministro André Mendonça de que foi procurado por um advogado de Daniel Vorcaro com uma proposta de "delação seletiva" no caso que investiga o Banco Master. A declaração, dada em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, ocorreu após Gilmar ser questionado sobre a atuação de Mendonça na relatoria do caso do Banco Master.
Gilmar argumentou que o acordo de colaboração premiada deve ser firmado entre o Ministério Público ou a Polícia Federal e o investigado, acompanhado por seus advogados. "Então, aqui já há algo de erro crasso. Se está participando de conversas ou se está expulsando advogados do processo, isso tem algo de errado", disse.
A fala ocorre dias depois de Gilmar protagonizar um embate público com Mendonça no julgamento de medidas cautelares envolvendo a manutenção da prisão de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro.
Na ocasião, Mendonça disse ter recusado uma proposta de "delação seletiva" no caso Master. Segundo o relator, um advogado do ex-controlador do banco o procurou para tratar de uma colaboração com recortes, mas ele afirmou não aceitar esse tipo de negociação.
Sem afirmar diretamente que o ministro conduz mal o processo, o decano também disse que Mendonça tem uma "tarefa difícil", mas defendeu que a investigação siga uma "métrica" para evitar a repetição de erros do passado, em referência à Operação Lava Jato.
Ao justificar a comparação, Gilmar apontou uma sequência de episódios que, segundo ele, acende um alerta sobre a condução do caso, como vazamentos, divulgação de conversas privadas, prisões de familiares de investigados e a morte de um dos alvos da apuração: Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como "Sicário".
"São elementos que levam a, pelo menos, uma preocupação e similitudes com o que ocorreu anteriormente", afirmou o ministro
Com informações de Estadão

