Blog do Kolluna

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26/10/2019 06:54

O Super Matutão 2019 e o Matutão de Everaldo Lopes em 1971

O Super Matutão 2019 e o Matutão de Everaldo Lopes em 1971

A Federação Norte-rio-grandense de Futebol – FNF, resgata a tradição do futebol do interior do Estado promovendo o que denominou de Super Matutão, com a participação de seleções de cidades interioranas. O campeonato se inicia neste fim de semana e está previsto para acontecer nos meses de outubro, novembro e dezembro, com final a ser disputada na Arena das Dunas e caberá a equipe campeã receber o troféu Everaldo Lopes.

A lembrança do nome do jornalista esportivo, falecido no ano passado, é uma justa homenagem a quem foi o idealizador do torneio chamado de Matutão e que tinha formato semelhante, com a fase preliminar disputada nas cidades do interior e a final decidida em Natal.

O campeonato interiorano, inicialmente jogado de forma precária nos anos 60, voltou a ser praticado em 1971 por iniciativa de Everaldo Lopes, à época destacado jornalista esportivo do Diário de Natal, que se aproveitou do aniversário de 32 anos daquele jornal para fomentar, outra vez, a prática do futebol no interior do Estado, ideia que foi assimilada pelo jornalista Luiz Maria Alves, diretor dos Diários Associados em Natal e que se tornou patrono do campeonato, recebendo a denominação do troféu para a equipe mais disciplinada. O troféu do campeão daquele ano teve o nome do governador Cortez Pereira.

A organização do campeonato, em 1971, coube ao próprio Everaldo, além dos jornalistas Erildo L’Eraistre Monteiro e Procópio Neto. A coordenação de arbitragem ficou a cargo de Nelson Luzia. O Tribunal Especial de Justiça Desportiva foi composto pelos desportistas Cleanto Siqueira, Mário Dourado, Franklin Machado, Rui Soares e Nivaldo Souza, secretariados por Nilson Torres.  

Vinte equipes inscritas foram divididas em cinco grupos assim divididos: Oeste (Almino Afonso, Pau dos Ferros e Patu), Centro-Oeste (Angicos, Areia Branca, Lages, Pedro Avelino), Seridó (Caicó, Campo Redondo, Parelhas e Santa Cruz), Agreste (Arês, Nova Cruz, Pedro Velho e São José de Mipibu) e Litoral (Canguaretama, Macaíba, Parnamirim, São Gonçalo, Taipu).

E assim começou a festa no interior. A cada fim de semana, as pessoas iam se reunindo na praça, aguardando a chegada da equipe adversária que geralmente vinha em cima da carroceria de um caminhão. Após o almoço, todos pegavam o seu cavalo ou bicicleta, ou mesmo a pé, e se deslocavam para o campinho da cidade, muitos deles sem muro em seu entorno, sem arquibancada e sem o devido conforto para assistir a peleja, algumas já contando com a tradicional rivalidade entre as cidades.  

Várias foram às curiosidades ocorridas para emular o torcedor, a exemplo de ser destinada uma madrinha da equipe da casa para dar o pontapé inicial ou fazer uma preliminar entre equipes de futebol feminino. Houve o caso de na partida entre Patu x Almino Afonso, em face da imensa rivalidade, ser ventilada até mesmo uma festa com a presença de Wanderley Cardoso para atenuar os ânimos dos jogadores e torcedores. A vinda da estrela da Jovem Guarda não se concretizou, mas as equipes desfilaram em carro aberto e trocaram flâmulas, amigavelmente, antes da partida começar.

Após a fase preliminar, somente uma equipe se classificou por grupo, que na fase final se uniram a Currais Novos, que havia sido campeão do torneio interiorano no ano anterior. Na fase final, com jogos em Natal, as equipes foram divididas em dois grupos: A (Currais Novos, Macaíba e Nova Cruz) e B (Pau dos Ferros, Caicó e Areia Branca). A equipe oestana venceu as duas partidas contra Areia Branca e Caicó (2x0 e 5x0) e Macaíba venceu Nova Cruz (2x0) e empatou com Currais Novos (0x0), enquanto a Nova Cruz apenas venceu Currais Novos. Os campeões de cada grupo foram Pau dos Ferros e Macaíba, que fizeram a final em 09.01.1972, no estádio Juvenal Lamartine, com vitória do time do Oeste por 2x0, sendo campeão de forma invicta.

Não houve disputa pelo terceiro lugar que foi dividido entre Caicó e Nova Cruz.

A foto da postagem é da primeira página do Diário de Natal de 10.01.1972, dia após a final do Matutão, contêm lance da partida no Juvenal Lamartine, a invasão da torcida pauferrense após o apito final e o zagueiro Sula, capitão da equipe, erguendo o troféu governador Cortez Pereira. 

 

FICHA TÉCNICA:

Pau dos Ferros 2 x 1 Macaíba

Data: 09.01.1972

Local: Estádio Juvenal Lamartine

Árbitro: Luiz Meireles

Assistentes: Nelson Luzia e Guaracy Picado

Público: 2.213

Renda: Cr$ 5.100,00 (cinco mil e cem cruzeiros)

Gols: Raimundinho (10min) (Macaíba); Aldemir (24min) e Bobô (85min) (Pau dos Ferros).

Pau dos Ferros: Salvino; Sula, Manoel, Aldemir e De Assis; Varela e Botija; Derval, Edilson, Bobô e Chiquinho. Técnico: Jácio Salomão

Macaíba: Wilson; Nazareno, Lela, Genilson e Bozó; Toinho e Beto; Jurandir, Dui, Raimundinho e Totó (Estevam). Técnico: Raimundo França