RN tem 3ª maior fila de espera por transplante de córnea do Nordeste; pacientes aguardam até 3 anos

05 de Novembro 2025 - 12h41
Créditos: Tom Guedes

O Rio Grande do Norte tem a terceira maior fila de espera por transplante de córnea do Nordeste e um dos menores números de cirurgias realizadas. Segundo especialistas, o problema vai além da falta de doadores e envolve falhas na notificação de óbitos e na conscientização sobre a importância da doação. Informações do g1.

A córnea é a lente transparente que recobre o olho. O comerciante Carlos Antônio da Lima, por exemplo, perdeu a visão do olho esquerdo após um acidente com água sanitária e deve esperar cerca de três anos pelo transplante — tempo médio de espera no estado.

De janeiro a junho deste ano, o RN registrou 647 pessoas na fila, ficando atrás apenas da Bahia (1.640) e de Pernambuco (1.447), segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). No mesmo período, foram realizadas apenas 80 cirurgias no estado. No Ceará, em comparação, quase 700 transplantes foram feitos em seis meses, com espera média de um mês.

O Banco de Olhos do RN, sediado no Hospital Universitário Onofre Lopes, é responsável pela captação e armazenamento das córneas doadas. O coordenador da unidade, Ochuandro Costa, afirma que a pandemia da covid-19 agravou a situação, reduzindo drasticamente as captações entre 2020 e 2022.

Já o oftalmologista Alisson Giovani, que atua no mesmo hospital, aponta também causas culturais: “O olho representa uma parte importante do corpo. Muitos familiares têm receio de autorizar a doação por medo de deformar o rosto do ente querido. Esse fator cultural ainda é o principal obstáculo”, afirmou.