Quem quer paz, se prepare para guerra, diz Bolsonaro

01 de Setembro 2021 - 14h40
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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse hoje, após entregar medalhas de mérito desportivo a atletas olímpicos militares, que uma guerra não se ganha com flores e "quem quer a paz" precisa "se preparar para a guerra".

As afirmações ocorreram depois de um discurso quase todo voltado para a parte esportiva, em evento no Rio de Janeiro. Ao entregar uma medalha especial para o boxeador Hebert Conceição, campeão olímpico em Tóquio, ele se despediu dizendo: "enfia a porrada, guerreiro".

Na sequência, Bolsonaro disse a seguinte frase. "Com flores não se ganha guerra não, pessoal. Quando se fala em armamento, quem quer a paz, se prepare para a guerra".

A frase praticamente encerrou a participação de Bolsonaro e não foi acrescida de nenhuma citação concreta ao que se referia ao formular a afirmação.

Porém, a declaração de Bolsonaro mais uma vez incentivando o armamento e falando em guerra ocorre em um momento de tensão no Brasil com as manifestações de 7 de setembro organizadas por seus apoiadores.

O presidente tem incentivado os protestos do Dia da Independência com discursos muitas vezes considerados golpistas, embora diga que pretende continuar atuando dentro das 4 linhas da Constituição Federal.

Ontem, por exemplo, Bolsonaro disse que "nunca uma outra oportunidade para o povo brasileiro será tão importante" ao se referir ao dia 7 de setembro.

A bandeira inicial das manifestações seria a defesa do voto impresso, defendido por Bolsonaro em meio a alegações infundadas de que urnas eletrônicas são passíveis de fraude. Porém, recentemente o presidente passou a se referir aos protestos, nos quais promete comparecer, como em defesa da liberdade.

O presidente tem atacado o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), por causa da sua inclusão no inquérito das fake news e de prisões recentes de bolsonaristas como o deputado Daniel Silveira e o presidente do PTB, Roberto Jefferson.

Bolsonaro diz que defende uma liberdade de expressão absoluta, ignorando o entendimento majoritário de que os direitos previstos na Constituição não são absolutos quando entram em conflito com outros, cabendo ao juiz sobrepesar caso a caso qual deve prevalecer.

Fonte: UOL