A campanha para a presidência do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinsenat) está acirrada e promete ser decidida voto a voto nos dias 1, 2 e 3 de setembro, datas da eleição. O pleito é marcado por acusações como fakenews, falta de diálogo e falta de transparência entre os dois grupos que polarizam o pleito.
De um lado está a atual gestão sindical, que está no poder há 23 anos; do outro um grupo que quer destronar a administração que há mais de duas décadas domina o órgão sindical, que tem como presidente a servidora Soraya Godeiro.
Um dos coordenadores da Chapa 2, de oposição, o guarda municipal J. Neto Câmara afirma que a direção atual do Sinsenat não presta contas do que entra e do que sai do sindicato há 4 anos. A chapa moveu uma ação na Justiça durante as eleições para ter acesso aos balanços financeiros, o que resultou em uma troca de acusações entre as partes.
“A atual gestão foi para as redes sociais dizer que era fakenews, pediram um novo prazo, a Justiça deu e eles agora, depois de quatro anos, devido ao processo eleitoral e nossa solicitação à Justiça, eles estão chamando uma assembleia para o dia 25 para, depois de todo esse tempo, prestarem contas aos servidores”, disse J. Neto Cunha em entrevista ao Hora Extra da Notícia, da 91.9 FM, nesta quinta-feira (19).
Segundo ele, o patrimônio do sindicato hoje está avaliado em R$ 12 milhões. A arrecadação mensal do sindicato gira em torno de R$ 200 mil, em termos de contribuição literal dos servidores, fora o plano de saúde. Se for considerado apenas esse valor arrecadado mensalmente, os 4 anos sem prestação de contas daria um total de R$ 9,6 milhões sem a devida transparência de gastos, segundo o grupo oposicionista.
Ainda segundo o guarda municipal, os servidores estão há 8 anos sem uma atualização da data base e 82% dos funcionários do município recebem menos de um salário mínimo, o que ele credita à falta de diálogo da gestão sindical.
“Então isso é falta de diálogo da gestão sindical com o Executivo, com o Legislativo e também com o Judiciário, porque nós temos várias perdas e é necessário que nós possamos representar melhor o Sinsenat, para termos ganhos para os servidores”, declarou. Ele acrescenta que o “novo sindicalismo” precisa dialogar mais para angariar conquistas para os servidores.
O OUTRO LADO
Para Soraya Godeiro, atual presidente do Sinsenat, a chapa oposicionista só sabe “promover agressões e fakenews”. Ela afirma que “a prestação de contas pública foi iniciativa da nossa gestão desde o nosso primeiro mandato, através do Jornal do Sinsenat e, também, nas redes sociais do sindicato”. Segundo ela, os balanços financeiros são publicados nas redes sociais e é feita a impressão de exemplares do jornal, com tiragem de 3 a 5 mil cópias.
Soraya afirma que o Sinsenat é hoje um dos sindicatos mais estruturados do Nordeste. Ela acusa a oposição de querer se aproveitar desse patrimônio sindical construído. “O interesse deles é só no patrimônio da entidade. Lutar pelos direitos dos servidores municipais que é o papel de um Sindicato sério e de luta, não têm qualquer interesse”, disse ela ao portal GRANDE PONTO.
O guarda municipal J. Neto, no entanto, contesta a informação de Soraya. Segundo ele, o que a presidente chama de “prestação de contas” é apenas um balanço feito em desacordo com o estatuto. Ele explica que a prestação de contas deve ser feita anualmente no mês de março referente ao ano anterior.
“Convoca-se uma assembleia, os servidores verificam as notas, os recibos, essa assembleia tem que ser chamada dez dias antes, tem que ser publicada num jornal de grande circulação, tem que ter as notas disponíveis, os servidores têm que aprovar, o conselho fiscal tem que verificar, tem que ter ata, coisa que ela [Soraya] não fez”, afirma J. Neto.
“Ela fica tentando fazer uma declaração de gastos para os servidores, bota no jornal, manda para as pessoas, mas tudo isso é enganoso”, acrescentou o oposicionista.


