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Uma nova caneta experimental contra a obesidade apresentou resultados expressivos em um estudo de fase 3 publicado nesta semana no New England Journal of Medicine. A retatrutida, desenvolvida pela Eli Lilly, levou participantes sem diabetes a perderem, em média, 28,3% do peso corporal após 80 semanas na dose mais alta.
Entre os pacientes que permaneceram no estudo por 104 semanas, a perda média chegou a 30,3%. O estudo TRIUMPH-1 avaliou adultos com obesidade ou sobrepeso e pelo menos uma condição relacionada ao excesso de peso.
Como funciona
A retatrutida é aplicada uma vez por semana e atua simultaneamente em três receptores hormonais: GLP-1, GIP e glucagon. Por isso, é chamada de “triplo agonista”.
Esses hormônios estão envolvidos no controle da fome, da saciedade, da glicose e do metabolismo. Medicamentos como semaglutida e tirzepatida atuam em um ou dois desses mecanismos.
Perda de peso
Os participantes receberam doses de 4 mg, 9 mg ou 12 mg da retatrutida ou placebo. Após 80 semanas, a perda média foi de 19% na dose de 4 mg e chegou a 28,3% na dose de 12 mg.
Quase metade dos participantes que receberam a dose mais alta perdeu pelo menos 30% do peso corporal.
Medicamento ainda não foi aprovado
Apesar dos resultados, a retatrutida ainda é experimental e não está aprovada para uso público no Brasil ou nos Estados Unidos. Segundo a Eli Lilly, o medicamento está disponível apenas em estudos clínicos.
A empresa pretende solicitar autorização às autoridades regulatórias dos Estados Unidos em 2027. Ainda não há previsão oficial de chegada às farmácias nem preço definido.
Resultados em pessoas com diabetes
Outro estudo de fase 3 apresentado nesta semana avaliou pacientes com obesidade ou sobrepeso e diabetes tipo 2. Na dose mais alta, a perda média foi de 20,8% após 80 semanas.
Mais da metade dos participantes deixou de atender aos critérios de obesidade. A hemoglobina glicada também caiu, chegando a uma redução de 1,6 ponto percentual em alguns casos.
Efeitos colaterais
Os efeitos adversos mais comuns foram semelhantes aos observados em outros medicamentos que atuam sobre o GLP-1, como náusea, diarreia, constipação e redução do apetite.
No estudo com pessoas com diabetes, alguns participantes interromperam o tratamento por causa dos efeitos adversos, principalmente nas doses mais altas.
A retatrutida também está sendo estudada para outras condições, incluindo apneia do sono, osteoartrite do joelho, doença hepática metabólica e possíveis efeitos cardiovasculares e renais.
Apesar dos resultados promissores, a segurança e os benefícios do medicamento ainda estão sendo avaliados. A eventual disponibilidade para o público dependerá da conclusão dos estudos e da aprovação dos órgãos reguladores.


