Negociações para fim da guerra na Ucrânia não avançam

30 de Maio 2025 - 18h19
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Nos últimos dias, os esforços diplomáticos para encerrar a guerra iniciada com a invasão russa da Ucrânia, em 2022, se intensificaram. No entanto, Rússia e Ucrânia continuam trocando acusações sobre a estagnação nas negociações. A informação é do O Antagonista.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, criticou a falta de comprometimento da Rússia, afirmando que há mais de uma semana o Kremlin não apresenta o “memorando” prometido para o segundo ciclo de negociações. “A Rússia está fazendo tudo para que a próxima reunião não traga resultados”, disse.

O porta-voz russo, Dmitri Peskov, afirmou que o documento será discutido nas negociações, sem dar detalhes. Ele também declarou que Putin está aberto a contatos de alto nível, mas só se houver avanços concretos.

Durante visita a Kiev, o chanceler turco Hakan Fidan sugeriu uma reunião entre Zelensky, Putin e Donald Trump, sob a liderança do presidente Erdogan. Zelensky já havia proposto esse formato, mas o Kremlin rejeitou, condicionando qualquer cúpula a resultados prévios nas tratativas com Kiev.

Peskov disse ainda que a Rússia está pronta para uma nova rodada de negociações em Istambul, mas a Ucrânia não confirmou participação. O chanceler ucraniano, Andriï Sybiga, declarou que o país está interessado em continuar os encontros. Fidan disse que ambos os lados desejam um cessar-fogo.

A proposta de trégua incondicional sugerida por Trump tem apoio da Ucrânia e da Europa, mas foi rejeitada pela Rússia, que teme que isso permita o rearmamento ucraniano com apoio ocidental.

Putin condiciona o cessar-fogo a exigências como a desistência da Ucrânia de entrar na Otan e a cessão de cinco regiões reivindicadas por Moscou — condições inaceitáveis para Kiev, que exige a retirada total das tropas russas.

Nesta sexta-feira (30), a Rússia afirmou ter tomado dois vilarejos na região de Kharkiv, no nordeste da Ucrânia.

Trump, embora crítico recente de Moscou, também acusou Zelensky de atrasar as negociações. Seu enviado especial para a Ucrânia, general Keith Kellogg, afirmou que a entrada do país na Otan “não está em pauta” e reconheceu preocupações legítimas da Rússia com a expansão da aliança.

No Conselho de Segurança da ONU, o embaixador americano interino adjunto, John Kelley, alertou que os EUA podem rever seu papel nas negociações caso Moscou continue sua ofensiva militar.