Leia revelações feitas a Trump pelo ex-chefe da inteligência de Maduro

07 de Dezembro 2025 - 10h39
Créditos: Jesus Vargas/Getty Images

Preso nos Estados Unidos sob acusação de conspiração para o terrorismo, o ex-diretor de Contrainteligência Militar da Venezuela, Hugo Armando “El Pollo” Carvajal, enviou uma carta ao presidente Donald Trump na qual afirma ter participado, por duas décadas, de operações de narcotráfico, espionagem e manipulação eleitoral a serviço do governo de Nicolás Maduro. Ele atribui essas ações a ordens diretas de Maduro, do ministro do Interior, Diosdado Cabello, e da inteligência cubana.

Carvajal, general de divisão e ex-homem de confiança de Hugo Chávez, diz ter rompido com o regime em 2017 e afirma estar disposto a cooperar com autoridades dos EUA. A carta, enviada na última terça-feira (2/12), surge no momento em que Trump intensifica sua ofensiva contra Maduro. O documento foi compartilhado exclusivamente com o Dallas Express pelo advogado de Carvajal, Robert Feitel, ex-procurador do Departamento de Justiça dos EUA.

Na carta, Carvajal diz ter se declarado culpado de conspiração de narcoterrorismo e afirma escrever para “expiar culpas” e alertar os EUA sobre riscos representados pelo regime venezuelano. Ele relata ter testemunhado a transformação do governo Chávez em uma organização criminal que, segundo ele, dirige hoje o chamado “Cartel dos Sóis”, voltado a usar drogas como arma contra os EUA, com apoio das FARC, ELN, agentes cubanos e Hezbollah.

Carvajal também afirma que participou das decisões que levaram à organização e ao armamento de facções criminosas como o Tren de Aragua, criadas para proteger o regime. Ele acusa Maduro de ampliar a estratégia após a morte de Chávez e de enviar integrantes das gangues ao exterior, inclusive para os Estados Unidos, onde continuariam cometendo crimes para financiar operações.

Sobre espionagem, relata que esteve presente quando a inteligência russa propôs a Chávez a interceptação de cabos submarinos de internet para acessar comunicações dos EUA e afirma que a Venezuela enviou espiões ao território norte-americano nas últimas duas décadas, alguns disfarçados de opositores venezuelanos.

Carvajal também acusa o regime de manipular eleições por meio do sistema Smartmatic, que, segundo ele, pode ser alterado. Afirma que o software foi usado para manter o regime no poder e exportado a outros países, inclusive os Estados Unidos.

No documento, ele alerta que o regime venezuelano seria uma ameaça direta à segurança norte-americana, usando drogas, facções criminosas, espionagem e interferência eleitoral como armas. Carvajal declara apoio às políticas de Trump contra Maduro, afirmando que são “necessárias e proporcionais” à ameaça, e diz estar pronto para fornecer mais detalhes às autoridades norte-americanas.

A carta é assinada por Hugo Carvajal Barrios e datada de 2 de dezembro de 2025.