O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, foi sondado para o cargo antes mesmo do segundo turno das eleições presidenciais de 2018, em 28 de outubro. A informação foi dada por Gustavo Bebianno, ex-secretário-geral da Presidência da República, em entrevista ao jornalista Fabio Pannunzio divulgada no final de semana.

Segundo Bebianno, o responsável por intermediar o convite foi Paulo Guedes, atual ministro da Economia do Governo Bolsonaro - o presidente, que superou Fernando Haddad (PT) no segundo turno, não teria tido qualquer diálogo com o juiz a respeito até o resultado das urnas. Moro comandou os julgamentos em primeira instância dos crimes da Operação Lava Jato, que tiraram Luiz Inácio Lula da Silva (PT) da disputa presidencial.

Bebianno afirma que, até o segundo turno, tinha a possibilidade de assumir a pasta de acordo com o próprio Bolsonaro. "Entre o primeiro e o segundo turnos, um dia eu chego na casa do Paulo Marinho (empresário filiado ao PSL), onde foi montada a estrutura, estúdios, inclusive para a gravação dos programas eleitorais. Naquele dia, o Jair tinha chegado um pouco mais cedo. O Paulo falou assim: 'Ele está na sala de televisão e quer conversar com você'. Aí eu fui até lá. Ele estava lá, sentado muito confortável numa poltrona, e na frente dessa poltrona tinha um pufe para colocar os pés", relatou.

"Eu puxei essa poltrona, me sentei debruçado, olho no olho, e ele disse para mim o seguinte, exatamente com essas palavras: 'Gustavo, você está isso aqui (aproxima o polegar e o dedo médio, indicando proximidade) para ser o próximo ministro da Justiça; no entanto, existe uma questão que me preocupa, que é o seu pavio. Seu pavio é muito curto. Para ter uma missão dessas, você vai lidar principalmente com deputados, senadores, e você nunca poderá pisar no calo de um deputado'. Olha só. 'Se você pisar no calo de um deputado, poderá abrir uma crise tão grande, capaz de botar em risco o governo. Me preocupa o teu pavio ser tão curto'", acrescentou.

No dia do segundo turno das eleições, Bebianno foi comunicado que o governo convidaria Sérgio Moro para o ministério da Justiça. Segundo o ex-presidente nacional do PSL, o responsável por avisá-lo foi Paulo Guedes, justamente o responsável pelas conversas com o juiz. A versão, segundo ele, é conhecida pelo ministro da Economia ou pelo ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.