Criança tem crise de riso por 4 horas, é levada a hospital e descobre condição rara

15 de Agosto 2026 - 13h37
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Eduarda Barbosa, de 9 anos, tomou um susto ao precisar ir para o hospital após ficar horas sorrindo, sem conseguir parar. Na unidade, ela e a família descobriram que a menina teve uma “crise gelástica”, um tipo de epilepsia que causa o riso descontrolado e involuntário. Depois do susto, a história virou brincadeira entre elas e também um alerta para outras pessoas.

Segundo Alinne Barbosa, mãe da criança, elas estavam em casa, em Contagem, na Grande BH, quando a menina começou a sorrir. No início, Alinne pensou que era alguma piada, ou que a filha estivesse brincando, e até começou a sorrir junto. “Perguntei se ela tinha visto alguma coisa, que eu queria rir também. Até as irmãs entraram na brincadeira, até que eu percebi que já tinha passado uns trinta minutos dessas gargalhadas infinitas”, explica.

Ao notar que algo estava errado, Alline conta que começou a pedir Duda para parar de sorrir, mas que a garota não conseguia. 

Ela conta que a menina não conseguia falar nenhuma palavra, e apenas gesticulava, enquanto sorria. Ao perceber que a criança estava com a pupila dilatada e os lábios secos, ela avisou que teriam que ir ao hospital. Mesmo durante um banho, se preparando para ir, Duda não parou de rir, e continuou assim durante todo o trajeto. Já passava de uma hora e meia que Duda estava nesse estado.

Ao chegarem ao Hospital Municipal de Contagem, uma médica e uma enfermeira fizeram o atendimento e logo tiveram uma suspeita: crise gelástica.

Enquanto era atendida, Duda permaneceu sorrindo por mais duas horas e meia, ultrapassando quatro horas assim. A menina só parou quando ficou exausta de tanto sorrir e dormiu no colo da mãe.

Sobre a crise gelástica
A epilepsia gelástica é uma condição neurológica causada por uma condição rara denominada hamartoma hipotalâmico, que pode ser provocada por tumores benignos ou lesões no hipotálamo, região do corpo que controla várias funções cerebrais.

Esses ataques, que são convulsões, geralmente são breves e sem motivo aparente, podendo ocorrer várias vezes ao longo do dia. Embora o riso pareça saudável, ele pode ser um sintoma de uma condição séria e precisa de avaliação médica.

Os sinais e sintomas de epilepsia gelástica podem incluir:

- Risos inapropriados ou sem motivo, geralmente sem alegria;

- Movimentos físicos incontroláveis, como balançar o corpo ou jogar a cabeça para trás;

- Dificuldade para falar;

- Perda de consciência;

- Sensação de desconforto antes de algum episódio;

- Dificuldade para processar informações.

O neurocirurgião Sérgio Cançado explica a importância de analisar cada caso com cuidado. Para Duda, não foi preciso um tratamento ou medicamento, mas episódios com outras pessoas podem exigir uma atenção maior. “A epilepsia é uma alteração no tecido encefálico e frequentemente elas evoluem com dificuldade de resposta de medicamentos, é muito comum a medicação não controlar essas crises. E quando ela não é eficaz, existe a possibilidade de tratamento cirúrgico, que aí chega a controlar em mais de 70%”.

Por isso, o médico recomenda que quando tiver uma suspeita de que a pessoa está em um quadro de crise do tipo é necessário que ela seja levada ao hospital para uma avaliação com pediatra, e depois com um especialista. “Confirmado o diagnóstico, existem centros especializados no tratamento cirúrgico das epilepsias”, explica o médico.

Depois do susto
Ainda no hospital, Duda passou por uma tomografia e ficou em observação. A tomografia deu estado normal, mas teve a suspeita da crise gelástica, que será confirmada após a criança passar em um neurologista especializado.

De acordo com a médica que fez o atendimento, a crise pode ter sido causada por algum episódio de ansiedade ou estresse em que a criança não conseguiu desabafar e colocar para fora. Mesmo após o episódio, segundo a médica, Duda não pode ser considerada uma criança com epilepsia, já que não teve uma segunda crise e não apresentou outros sintomas. Também não foi necessária medicação.

A mãe conta que no dia seguinte a menina acordou bem e até o momento não teve outros episódios do tipo. Após o ocorrido, Alinne decidiu publicar um vídeo nas redes sociais contando a história e fazendo um alerta para que outros pais fiquem atentos caso os filhos apresentem o mesmo quadro. Para a surpresa da família, o vídeo já ultrapassa 7 milhões de visualizações.

Com informações de R7