Por Alex Medeiros - Tribuna do Norte
Eu só acreditei porque vi. Uma enxurrada de lamentos, lamúrias e vitimismos de parlamentares e militantes de esquerda, precisamente do PT e PSOL, em solidariedade aos bandidos eliminados pela faxina que as polícias militar e civil fizeram no Rio de Janeiro. E, pasmem, a companheirada de Natal também rosnou e chorou em oração aos criminosos mortos.
Eu só acreditei porque vi. Um chororô esquerdofrênico nas redes sociais de militontos locais, um ranger de dentes e de ódio contra os policiais e, principalmente, o governador carioca Cláudio Castro. Foi impossível não sentir asco, nojo, ira diabólica contra essa gente que sequer deu um pio no assassinato da garotinha Cecília, vítima da desgraça que é hoje o RN.
Dias antes, nas veias das estradas mal cuidadas, onde o sol potiguar se curva em lamentos de poeira, calor e suor, a menina Cecília dançava. Tinha sete primaveras nos olhos e um riso de algodão-doce, tecendo sonhos com fios do mar e do céu do Rio Grande do Norte. O carro, berço errante da família, cortava o caminho como um coração exposto, entre São José de Mipibu e Nísia Floresta, uma fronteira de esquecimentos.
Bandidos covardes, sombras famintas de delinquência, surgiram do breu, como lobos de uma guerra sem nome, em disparos ecoando o hino da impunidade que assola a terra de Cascudo. Um tiro, traidor e cego, rasgou o pulmão da menina, como se o destino, em fúria surda, devorasse a flor antes do brotar. Cecília, anjo de tranças e segredos infantis, tombou no colo do padrasto, um rio de sangue tingindo o banco das memórias das dores que virão. O RN, terra de dunas e dengues, o mais esquecido nos mapas do progresso, onde o IDH se arrasta como réptil ferido, e a violência urbana ruge com corpos que caem como folhas em ventos de outubro.
Aqui, o crime floresce em jardins de negligência, raízes profundas na terra árida de promessas vazias. Aqui, onde as políticas de segurança, educação e desenvolvimento são um fracasso a céu aberto e são expostas nas pesquisas que captam o desleixo de um governo com suas secretarias inúteis e inertes.
Cecília, 7 anos, símbolo de tantos anjos caídos, vítimas inocentes ao léu da insegurança, mergulhadas no abismo da incompetência administrativa. Governo petista, com mais de 60% de rejeição popular nos lares do povo e na brisa das ruas, como um leme quebrado em mar de sangue. A administração do PT e dos seus aliados coxos, deixa que o caos dance sobre as sepulturas. Enquanto a governadora Fátima Bezerra e a sua entourage bailam nos forrós do cinismo e da carraspana eleitoreira.
Mas em teu nome, Cecília, ecoa o clamor: não mais estradas de terror, não mais balas colhendo infâncias. Que tua luz, pequena mártir das estradas, acenda fogueiras nos corações adormecidos, e o RN desperte, enfim, de seu pesadelo, para que nenhuma estrela de sete anos se apague no escuro da indiferença.
Cecília, flor de sete primaveras. Sete anos de sonhos bordados em laços de fita, laços de esperança que a covardia desfaz. Sem tempo para despedidas e para entender a violência sem freio. Cecília, pequena estrela caída, em teu silêncio eterno, choramos e clamamos justiça. Que o vento leve tua voz aos céus enquanto a terra, envergonhada dos erros pregressos, grita por mudança.


