Alucinações: condição raríssima faz mulher ver pessoas como dragões

27 de Agosto 2025 - 18h40
Créditos: Divulgação/Universal Pictures

Durante toda a vida, uma mulher holandesa conviveu com alucinações visuais. Desde a infância, enxergava coisas que não existiam, mas conseguiu seguir normalmente: estudou, se casou e tornou-se mãe. No entanto, aos 52 anos, sua condição se agravou: ela passou a ver dragões ao olhar para o rosto das pessoas.

O caso foi relatado em 2014 na revista The Lancet e voltou a viralizar nesta semana.

Dragões no lugar de rostos

De acordo com os médicos responsáveis pelo relato, a paciente reconhecia rostos reais, mas, após alguns minutos, eles se transformavam: ficavam escuros, desenvolviam orelhas pontudas, focinho proeminente, pele reptiliana e olhos de cores intensas, como amarelo, verde, azul ou vermelho.

Exames e lesões cerebrais

Exames neurológicos e de sangue não apontaram alterações relevantes, mas uma ressonância magnética revelou lesões próximas ao núcleo lentiforme do cérebro. Os médicos acreditam que os danos, provavelmente causados por pequenas rupturas de vasos sanguíneos durante a vida ou até no parto, afetaram regiões ligadas ao reconhecimento de rostos e objetos.

Diagnóstico raro: prosopometamorfopsia

A paciente foi diagnosticada com prosopometamorfopsia (PMO), uma condição extremamente rara que causa distorções faciais visuais. Em alguns casos, a pessoa enxerga os traços aumentados, deslocados ou até mesmo apenas um lado do rosto distorcido — situação chamada de hemi-PMO.

Segundo uma revisão de 2021, apenas 81 casos da síndrome foram descritos na literatura médica. A condição está associada a alterações cerebrais e distúrbios como epilepsia, enxaqueca e derrame.

Tratamento e vida atual

Inicialmente, a mulher foi tratada com ácido valproico, que reduziu as visões, mas provocou novas alucinações sonoras. O remédio foi substituído por rivastigmina, usada em quadros de Alzheimer e Parkinson. Com isso, as distorções visuais ficaram mais controladas.

Após três anos de acompanhamento, a paciente relatou que, embora ainda veja alterações nos rostos, conseguiu retomar melhor sua vida pessoal e profissional.