Jogadores gays do vôlei brasileiro sofrem ataques homofóbicos na web

11 de Junho 2026 - 13h11
Créditos: CBV/Divulgação

Jogadores assumidamente gays da Seleção Brasileira masculina de vôlei voltaram a ser alvos de ataques homofóbicos nas redes sociais, após a divulgação de fotos oficiais da equipe para a Liga das Nações. 

Entre os atletas que apareceram nos registros e foram atacados estão Douglas Souza, Douglas Pureza, Maique Reis e Adriano Xavier. Alguns deles posaram usando peças com as cores do arco-íris, símbolo associado à comunidade LGBTQIAPN+.

Após a publicação das imagens, diversos comentários preconceituosos começaram a circular nas redes sociais, questionando a masculinidade dos rapazes e associando orientação sexual a estereótipos ofensivos. O episódio gerou indignação entre fãs, influenciadores e defensores da diversidade no esporte.

Consequências legais

Para a advogada criminalista Silvana Campos, esse tipo de comportamento ultrapassa a esfera da opinião e pode ter consequências legais.

“A homofobia é equiparada ao crime de racismo no Brasil desde decisão do Supremo Tribunal Federal. Comentários ofensivos, discriminatórios ou que incentivem humilhação pública em razão da orientação sexual podem, sim, gerar responsabilização criminal e até indenização na esfera cível”, explicou.

Responsabilidade pelos ataques

Segundo a especialista, a internet não elimina a responsabilidade de quem pratica ataques preconceituosos: “Muitas pessoas acreditam que redes sociais funcionam como um espaço sem consequências jurídicas, mas isso não é verdade”, afirmou.

E continuou: “Dependendo do conteúdo publicado, o autor pode responder criminalmente por discriminação, injúria preconceituosa e discurso de ódio”, pontuou Silvana Campos.

Dificuldades dos jogadores

Os ataques também reacenderam discussões sobre a dificuldade enfrentada por atletas LGBTQIAPN+ no esporte masculino profissional. Embora o vôlei brasileiro seja frequentemente apontado como um dos esportes mais abertos à diversidade, especialistas destacam que o preconceito ainda se manifesta de forma intensa, principalmente nas redes sociais.

Para a advogada, casos como esse mostram a importância da denúncia e do posicionamento institucional diante de ataques discriminatórios.

“Quando o preconceito é naturalizado, ele se fortalece socialmente. Por isso, é fundamental que plataformas, entidades esportivas e autoridades tratem esse tipo de ataque com seriedade. O combate à homofobia passa também pela responsabilização de quem pratica violência verbal e simbólica”, concluiu.

Com informações de Fábia Oliveira, do Metrópoles.