Créditos: Reprodução
Grandes varejistas de moda no Brasil passaram a criticar o uso do termo “taxa das blusinhas”, por considerá-lo leve e até simpático para uma medida que, segundo elas, prejudica a indústria nacional. Executivos como os da Riachuelo e da Renner defendem que a expressão mascara o impacto real da política.
Riachuelo e Renner são duas das três maiores companhias do setor no país (o trio é completado pela C&A). As duas, juntas, empregam cerca de 350 mil pessoas se considerada toda a cadeia produtiva. Em declarações recentes, o presidente Lula disse considerar o valor de R$ 50 baixo demais para uma taxação, voltando a dar força ao debate sobre a cobrança do tributo de produtos comprados por ecommerce, preferencialmente vindos de países asiáticos.
A lei, criada em agosto de 2024, estabeleceu uma alíquota de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 e de 60% para valores entre US$ 50 e US$ 3 mil. Somado ao ICMS estadual, de 17% a 20%, a carga tributária chegou a aproximadamente 40% a 50% do valor do produto. As varejistas brasileiras argumentam que esse percentual é menos da metade dos 90% que a indústria nacional paga. Veem isso como uma assimetria sem sentido.
A mudança de linguagem é vista como parte de uma estratégia para influenciar o debate público, destacando o que consideram uma concorrência desigual e seus efeitos sobre empregos e produção no país.
Para os executivos, trata-se de uma visão política.
O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, defendeu a revogação do imposto, classificando-o como “um dos elementos mais fortes de desgaste do governo”.
Levantamento da AtlasIntel, em parceria com a Bloomberg, aponta que 62% dos brasileiros avaliam a taxa como um erro do governo, enquanto 30% a consideram um acerto. Há uma questão de comunicação, no que se percebe pelo discurso da indústria nacional
. De explicar como o país perde com isso. “Se isentarem os impostos de todos os itens, a gente vende pelo mesmo valor. Por que para uns e não para outros?”, questiona o CEO da Renner. “É uma política de estado brasileira que vai prejudicar o emprego nacional. Não é protecionismo, é uma grande desvantagem para quem opera aqui”, completa Farber.
O Ministério da Fazenda resiste à reversão por acreditar que a taxa contribui para o cumprimento da meta fiscal. Também corrige uma distorção decorrente da importação de produtos chineses comercializados abaixo dos preços de mercado.
Em 2025, o governo arrecadou R$ 5 bilhões com o imposto de importação sobre encomendas internacionais. Para os representantes da indústria nacional, voltar atrás significaria também uma incoerência para a política do governo que, no discurso, seria pelo incentivo à indústria nacional.
Fonte: Folha de São Paulo


