Bebê dado como morto é encontrado com sinais vitais em saco funerário

25 de julho 2026 - 15h51
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O caso do bebê Noah Gabriel da Cruz Santos, de um mês, chamou a atenção em todo o país após ele ser encontrado com sinais vitais dentro de um saco funerário, cerca de duas horas depois de ter a morte constatada pela equipe médica da Santa Casa de Rio Claro, no interior de São Paulo. 

Noah nasceu prematuro, no dia 15 de junho, com fenda palatina, uma malformação congênita que provoca uma abertura no céu da boca e pode comprometer a alimentação, a fala, a audição e o desenvolvimento da criança. Desde o nascimento, ele estava internado na UTI Neonatal e aguardava transferência para um hospital especializado, onde seria submetido a uma cirurgia.

No dia 15 de julho, o estado de saúde do bebê piorou e ele sofreu uma parada cardiorrespiratória. A equipe médica realizou manobras de reanimação por aproximadamente 45 minutos, mas o óbito foi constatado no fim da tarde. Segundo a mãe, Letícia Cristina da Cruz Santos, ela e o marido acompanharam todo o atendimento e chegaram a ver o filho sem sinais vitais e com a pele arroxeada.

Após a confirmação da morte, Noah permaneceu por cerca de uma hora na UTI Neonatal. Em seguida, o corpo foi preparado, colocado em um saco funerário lacrado e encaminhado para aguardar a chegada da empresa funerária. O velório e o enterro já haviam sido marcados para o dia seguinte.

Cerca de duas horas após a constatação do óbito, a agente funerária Regina Célia Paschoal foi buscar o corpo e percebeu que o bebê se mexia dentro do saco funerário. Ela abriu o saco e constatou que Noah também emitia sons.

"Abri e o neném começou a se mexer mais ainda, fazia um barulho, que ele queria respirar", relatou a funcionária.

Ao perceber os sinais vitais, a equipe médica foi imediatamente acionada. Noah voltou a ser internado na UTI Neonatal e, no dia seguinte, foi transferido para o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da USP (Centrinho), em Bauru, onde segue internado para dar continuidade ao tratamento da fenda palatina. Segundo a família, o bebê apresenta boa evolução clínica.

Em nota, a Santa Casa de Rio Claro afirmou que todos os protocolos técnicos e legais para a constatação do óbito foram rigorosamente cumpridos e que não foram identificadas falhas assistenciais ou procedimentos que devessem ser revistos com base nas evidências apresentadas no momento da declaração da morte. O hospital informou ainda que a médica responsável possui 14 anos de experiência em neonatologia e classificou o episódio como um acontecimento extraordinário.

O caso ainda não possui uma explicação médica definitiva. Especialistas ouvidos pela imprensa não apresentaram uma conclusão sobre o que pode ter ocorrido, e entidades médicas, como a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Sociedade de Pediatria de São Paulo, não se manifestaram sobre o episódio.

A família afirma não acreditar em negligência da equipe médica. A mãe disse que acompanhou todo o atendimento e que os profissionais fizeram todos os esforços para reanimar o filho. Para ela, o ocorrido foi um milagre.

Até o momento, não foi registrado boletim de ocorrência e a família informou que não pretende acionar a Justiça. A Promotoria de Justiça de Rio Claro também confirmou que não recebeu representação sobre o caso. A Santa Casa informou que realizou uma avaliação interna e não encontrou irregularidades nos procedimentos adotados.

Com informações de g1