Sérgio Trindade

Quem sabe é quem sabe ou quem tem diploma?

Quem sabe é quem sabe ou quem tem diploma?

Nestes tempos bicudos, em que somos obrigados a ficar em casa para que não sejamos vítimas de um vírus de baixa letalidade mas tinhoso como o cão, o Brasil assiste a um fenômeno que deveria ser pedagógico: conhecimento independe de diploma.

O diploma atesta apenas que o fulano que o possui cursou um certo programa com componentes curriculares, atendendo portanto os requisitos formais.

Faz sentido para certas profissões, notadamente aquelas em que o erro tem consequências graves sobre a vida das pessoas.

Em outras, sentido quase algum, pois não é necessário ser graduado em uma determinada área do conhecimento para que saibamos sobre ela.

É um caminho, mas não o único caminho, pois se assim fosse Nélson Rodrigues e seu irmão Mário Filho ou Roberto Marinho e Assis Chateaubriand não poderiam exercer a profissão de jornalista, Celso Furtado e Pedro Malan não poderiam ser economistas, Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Hollanda estariam deslocados nas universidades e por aí vai.   

Mário Henrique Simonsen passou por situação inusitada: foi professor visitante de Economia em Harvard e aluno de graduação de Economia numa faculdade norte-americana pouco prestigiosa, porque o Conselho de Economia questionou o fato de ele ser economista da Confederação Nacional da Indústria sem ter graduação na área.

Os conselhos profissionais criam exigências de diplomas para o exercício das profissões, até na docência, nível básico e superior.

Os melhores professores de administração do mundo não estariam habilitados para lecionar nas universidades brasileiras porque não são formados em Administração.

O diploma tem servido, muitas vezes, para garantir reserva de mercado, impedindo aqueles que têm conhecimento mas não dispõem do diploma de exercer a profissão para a qual se candidata.

Caso o mundo percorresse os passos do Brasil, os psicólogos Daniel Kahneman e Herbert Simon e o matemático John Nash não seriam premiados com o Nobel de Economia pela Academia de Ciências da Suécia.

A carreira dos professores-pesquisadores por aqui é enaltecida pelas publicações que conseguem emplacar, ignorando-se quase por completo outras realizações no campo profissional.

Se um bambambam do mundo dos negócios inventar um modelo revolucionário, verá sua carreira docente menos valorizada do que um colega que escrever um artigo sobre o modelo revolucionário.

Gostamos de papel. E como o diploma é um papel com timbre, ele tem muito mais valor.

E assim, a ditadura do diploma inviabiliza e atrasa a produção do conhecimento.

O pior do Brasil é o brasileiro médio

O pior do Brasil é o brasileiro médio

Uma frase de Câmara Cascudo ilustrou a campanha da ABA (Associação Brasileira de Anunciantes), em 2004, que buscava resgatar a auto-estima do brasileiro (Eu sou brasileiro e não desisto nunca): “O melhor do Brasil é o brasileiro”. (http://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/noticia/2004-07-19/campanha-quer-resgatar-auto-estima-do-brasileiro) (https://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2007200403.htm)

Dezesseis anos depois, quando o mundo e o Brasil estão numa encruzilhada histórica trágica, o brasileiro médio ainda não entendeu o enredo.

Neste início de 2020 estamos diante de uma escolha de Sofia: matar milhões ou matar milhares.

A Itália cochilou e assiste a uma parcela de sua população de idosos morrer como moscas.

A responsabilidade cabe ao povo italiano, mas também e principalmente a algumas de suas lideranças políticas deve ser debitada a salgada conta.

Para quem não lembra, Dario Nardella, prefeito de Florença, a terra de Nicolau Maquiavel, viu nas reações iniciais ao corona-vírus a ressurreição de antigos e adormecidos preconceitos raciais.

Para combatê-los, o doidivanas lançou uma campanha resumida em três palavras: “Abrace um chinês”.

Fevereiro estava começando e, fora da China, a epidemia contabilizava 186 casos confirmados e somente um óbito.

Pouco mais de uma mês depois, da primeira para a segunda semana de março, a epidemia começava a se espalhar pela península itálica, quando Nicola Zingaretti, presidente da Lazio e secretário do Partido Democrata, com o vírus alojado no seu corpo não procurou atendimento especializado no leito de uma UTI.

O segundo doidivanas italiano defendia a tese segundo a qual o aumento exponencial dos casos confirmados aumentaria a velocidade da produção de anticorpos que deteriam o avanço do vírus.

O resultado da irresponsabilidade das duas sumidades todos sabemos: a Itália está prostrada frente ao inimigo invisível (https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/leonardo-coutinho/coronavirus-italia-tragedia-populismo/).

Por aqui, abaixo da linha do Equador, onde não existe pecado, as autoridades têm, de um modo geral, tirando um ou outro desmiolado, atuado com certa presteza.

Cabe à população cooperar, cumprindo o básico: manter-se em casa.

É nosso dever salvar a maior quantidade possível de pessoas.

Mas o que testemunhamos e fazemos?

 “Roubamos” álcool em gel nas farmácias para estocar, deixando parte de nossos compatriotas e concidadãos sem o produto, transitamos pela cidade, lotamos praias e programamos festinhas e churrascadas como se nada houvesse, descumprindo o chamamento ao isolamento social, compramos remédios importantes para manter a saúde de doentes de malária porque ouvimos ou lemos notícias sobre a possível eficácia do remédio, ainda não inteiramente comprovada, no combate ao corona-vírus, e condenamos os necessitados dos remédios a ficarem sem acesso a eles. (https://piaui.folha.uol.com.br/lupa/2020/03/20/coronavirus-hidroxicloroquina/) (https://exame.abril.com.br/ciencia/as-diferencas-entre-a-malaria-e-a-covid-19-os-riscos-da-hidroxicloroquina/) (https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2020/03/20/interna_gerais,1130771/infectologistas-medicamento-para-malaria-nao-combate-coronavirus.shtml)

Pior: pomos a politicagem à frente da boa política.

Em suma, optamos por matar o maior número possível de pessoas.

O Brasil já foi o país do futuro, título do livro do judeu-austríaco Stefan Zweig, que, fugindo do nazismo, radicou-se na cidade de Petrópolis, Rio de Janeiro.

De país do futuro, caminhamos, se o bom senso não aparecer por aqui, pra ser um país da irresponsabilidade e, no limite, de homicidas dos nossos familiares, amigos...

Entre a omissão e a mentira

Entre a omissão e a mentira

Na internet procuro, sempre que possível, escrever textos curtos, lauda e meia no máximo.

Eventualmente, quebro a regra e o farei agora, quando a polêmica sobre o caso do abraço do médico Drauzio Varela na travesti Suzy começa a esfriar.

Manifestei-me sobre o caso por duas vezes nas redes sociais e em ambas fui incisivamente contra à atuação do médico que, ressaltemos, não estava ali efetivamente como médico.

Li e ouvi familiares, amigos, colegas e desconhecidos discutindo fervorosamente o tema e, nos ambientes que frequento, a maioria estava favorável à matéria do Fantástico, da Rede Globo, rede de televisão que mais amamos odiar.

Houve quem trouxesse Jesus Cristo em socorro à atitude do médico.

A visita de Drauzio à qualquer prisão é digna de elogio, demonstrar respeito pelos presos é digno de nota, mas é preciso, antes de qualquer coisa, que todos saibamos e nos conscientizemos que os presos ali estão para cumprir pena porque cometeram crimes.

A travesti Suzy, abraçada por Drauzio Varela, foi condenada por estuprar e matar uma criança, é acusada de abusar de outras duas e cometeu outros delitos de menor monta.

Segundo ela, não recebe visitas há sete anos. 

Qualquer pessoa que cometa crimes tem de ser punido. Se o crime é hediondo, a pena é agravada.

É o caso de Suzy.

A matéria do Fantástico foi no mínimo mal produzida. Jornalistas experientes disseram isso.

Houve manipulação e isso fica claro no fato de que a travesti foi mostrada não porque a Globo acredita que ela mereça amor.

Ela estava na matéria como um instrumento de manipulação midiática a serviço de uma agenda ideológica pretensamente progressista.

O médico se eximiu de qualquer responsabilidade porque, segundo ele, estava ali apenas como médico.

Ora, ele estava ancorando uma matéria jornalística e, portanto, a ele cabia informar-se sobre a detenta ou então a ela perguntar sobre os crimes que cometera, se se arrependera, se se desculparia com a família da criança assassinada vil e barbaramente, etc.

Mas não, o espetáculo não era para fazer jornalismo de verdade, mas para mostrar uma criminosa em situação de fragilidade e, assim, criar um clima de comoção.

A família da criança estuprada e assassinada sequer foi citada, que dirá protegida.

Um escárnio sem tamanho.

Houve quem dissesse que ali estava a verdadeira compaixão, porque ela, a compaixão, só deve ser louvada e louvável se dirigida a quem não a merece.

Aí está um dos problemas maiores da atitude de Drauzio Varela e da Rede Globo, a saber, retratar uma criminosa sexual e assassina como se vítima fosse.

Se bem me lembro, compaixão é sofrer com, logo quem deve merecer compaixão são os familiares das vítimas de criminosos – nunca os criminosos.

Ao criminoso cabe cumprir a pena estabelecida pela sociedade e ao Estado cabe tratá-lo com dignidade – e só.

Como adiantei acima, tem um muita gente vendendo um cristianismo fajuto por aí para justificar suas taras e perversões escondidas nos recônditos da alma.

Nas aulas de catecismo a que compareci para fazer primeira eucaristia que nunca fiz, aprendi que, antes de pedir compaixão, um pecador precisa reconhecer os próprios erros e, portanto, merecedor da pena imposta e que viver de dar publicidade aos próprios atos de compaixão é apenas uma forma de esvaziá-los de qualquer mérito que possa ter.

O perdão de Deus só está posto mediante o arrependimento genuíno, indicou-me o padre José Dantas Cortez, em Florânia, ali pelo início da década de 1990, entre um gole e outro de uísque – ele bebendo doze anos e eu o oito anos Old Eight.

Os clássicos da patrística e S. Tomás de Aquino me ensinaram que a justiça é um dos mais sólidos pilares do amor de Deus.

Basta ler as escrituras com cuidado para constatar que Jesus, um personagem do Novo Testamento, salvou o ladrão na cruz e não da cruz – morrendo, ele mesmo, inocente entre dois apenados.

Não foram poucos os que perceberam o descompasso entre a dramatização construída pelo Fantástico e a realidade por trás da criminosa que Drauzio Varella abraçou.

Tratar um criminoso com a dignidade que merece um ser humano, por pior que seja, não é motivo de censura. Fazer de um assassino um injustiçado é vergonhoso.

A matéria da Rede Globo, no Fantástico, durou mais de dez minutos, uma eternidade em televisão. Durante a matéria e, principalmente, na esteira da repercussão que a ela se seguiu, todos os que rejeitaram o teor do conteúdo ali exposto foram apontados como desumanos e insensíveis.

Somente quando os fatos foram vindo à tona e as evidências de manipulação estão escancarados, foi que Drauzio Varela – que inicialmente soltou uma nota amorfa e covarde – e a Rede Globo se manifestaram.

A credibilidade da emissora dos Marinho, que vem caindo com o passar dos anos, foi manchada pela desfaçatez e pela falta de sensibilidade da produção do programa dominical.

A barrigada da Globo está em sintonia com estes tempos de informação em tempo real, quando a grande imprensa, na luta pela concorrência, tem confundido difundir informação com patrocinar lacração.

Senti falta de militantes dos direitos humanos e de feministas criticando a matéria de programa “da odiosa Rede Globo” alisando a cabeça de criminosa sexual. Provavelmente a crítica nunca venha, afinal a criminosa faz parte da minoria a ser protegida, mesmo quando errada.

A Rede Globo, após a repercussão negativa da matéria, resolveu se pronunciar, demonstrando tardiamente alguma compaixão com a família da criança estuprada e assassinada.

E é a mesma Rede Globo que, ao final do ano, pedirá dinheiro no Criança Esperança.

PIB, pibinho...

PIB, pibinho...

O PIB brasileiro cresceu apenas 1,1%, bem abaixo do que, de forma otimista, a equipe econômica e mesmo bancos e corretoras previam, mas também muito acima do que andam dizendo nas redes sociais, afinal o Brasil não está decrescendo mas crescendo menos.

É preciso fazer um resgate para entender o que anda ocorrendo com a economia brasileira.

O atoleiro no qual nos encontramos precisa ser debitado na conta correta, a da ex-presidente Dilma Rousseff, a gerentona escolhida por Lula como sua sucessora.

A gestão Dilma foi responsável pelo terceiro pior desempenho, em termos econômicos, entre todos os presidentes, desde a proclamação da república.

Dilma só bate Floriano Peixoto, que pega o rescaldo da crise do encilhamento, nascida e alimentada pelo seu antecessor, Deodoro da Fonseca, e Fernando Collor, comandante da desastrada intervenção econômica patrocinada por Zélia Cardoso, sua ministra da economia.

Segundo estudo do professor Reinaldo Gonçalves, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a debacle dilmista não pode ser atribuída a qualquer evento externo, pois não houve alterações de monta na taxa de crescimento da renda per capita global nos primeiros anos desta década em relação à média dos últimos 36 anos.

Os números brasileiros, porém, apresentaram forte declínio, o que leva o estudioso a dizer que noventa por cento do fracasso de Dilma é resultado de falhas nacionais, em sua maioria nascidas no seio do governo.

Para o professor, a lema de Dilma foi “errar, errar de novo”, como se errar sempre pior fosse “a diretriz estratégica do governo Dilma”, o que resultou numa taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), nos anos Dilma, de apenas 0,2%, a famosa contra-indução denunciada por Mário Henrique Simonsen (uma experiência que deu errado inúmeras vezes deve ser repetida até que dê certo). No primeiro mandato foi de 0,3% e 0,1% entre 2015 e o primeiro semestre de 2016, ano em que ela caiu, após impeachment.

O legado foi transferido para o seu sucessor, Michel Temer, que, não restam dúvidas, merece os parabéns por, sem gritaria alguma, ter revertido um resultado de -3,3% em 2016 para um crescimento de 1,3% em 2017.

São vários os fatores que impedem a economia brasileira de decolar, alguns externos e outros internos.

Entre os externos: a recessão argentina e a diminuição no ritmo da economia chinesa.

Em meados da década de 1960, Castelo Branco preparou a economia para a retomada do crescimento, que se evidenciou já no mandato de Costa e Silva e, principalmente, no de Médici.

Os mecanismos de uma economia complexa como a brasileira não respondem de imediato às ações e injunções governamentais. O governo, por sinal, pode influenciar o crescimento, mas não controlá-lo.

Não é demais lembrar que em 2003, primeiro do mandato de Lula, a economia também cresceu os mesmos 1,1% de 2019.

Não era provável que Guedes e sua equipe fizessem milagres, ainda que o ministro tivesse dado indicações de que pudesse fazê-lo. E é por isso, por ter falado demais e sido até arrogante em alguns momentos, que Guedes tem de ouvir críticas caladinho.

Se tivesse sido mais cauteloso nos seus pronunciamentos, feitos sem base técnica, talvez Guedes não estivesse ouvindo clamor tão forte. Porém, preferiu sair proferindo bazófias sobre como iria zerar o déficit no primeiro ano e fazer a economia crescer 3% ao ano da noite pro dia, sem que os dados pudessem confirmar o que ele dizia.

Sendo mais marqueteiro do que economista, o ministro alimentou expectativas e, agora, tem de ficar com cara de paisagem ouvindo jornalistas e lideranças oposicionistas questionarem o crescimento pífio da economia nacional.

Ao governo Bolsonaro cabe criar trânsito no congresso nacional, pois a inabilidade política em levar adiante a agenda de reformas é, provavelmente, uma das responsáveis pelo baixo rendimento da economia, pois pressiona, para baixo, a confiança dos agentes econômicos.

Gritar que o congresso nacional está tomado por corruptos não resolve a equação, afinal ele está lá e enquanto estiver é com ele que o governo terá de negociar.

Churchil, o maior de todos

Churchil, o maior de todos

Em 24 de janeiro de 1965, 8h, morria, aos 90 anos de idade, Winston Leonard Spencer Churchill, em sua residência, no Hyde Park Gate, Londres, após nove dias de agonia em virtude de uma trombose cerebral.

Logo que a notícia foi tornada pública pelo seu secretário particular, a BBC iniciou uma cobertura especial, transmitindo os principais discursos do ex-primeiro-ministro e levando ao ar a Quinta Sinfonia de Beethoven, cujos acordes iniciais – três notas breves e uma longa – correspondem à letra V, no código Morse, representando o V da vitória que Churchill simbolizou e com o qual estimulava a resistência britânica e por que não dizer ocidental à agressão nazista, durante a segunda guerra mundial.

Churchill sabia que cabia aos britânicos resistir às investidas nazistas na Europa, como disse: “Hitler sabe que terá de nos vencer nesta ilha ou perder a guerra. Se pudermos resistir a ele, toda a Europa poderá ser livre e a vida no planeta poderá seguir adiante para horizontes abertos e ensolarados. Mas, se nós cairmos, então o mundo inteiro, incluindo os Estados Unidos, incluindo tudo o que conhecemos e do que gostamos, vai afundar no abismo de uma nova Idade das Trevas, ainda mais sinistra e talvez mais prolongada pelo uso de uma ciência pervertida. Que nós nos unamos para cumprir nosso dever, e desta forma nos elevemos de tal forma que, se o Império Britânico e sua comunidade britânica durarem mil anos, as pessoas ainda digam: ‘Aquele foi seu melhor momento!’.”

Sou fã incondicional de Winston Churchill, mas mesmo que não o fosse é difícil não reconhecer que ele é o maior estadista do século XX e um dos maiores de todos os tempos.

Foi ele o primeiro a elevar a voz alertando para o perigo que Hitler e os nazistas representavam, numa época em que entre todas as lideranças europeias defendiam uma política de apaziguamento, chegando a se aliar, mesmo sendo anticomunista visceral, a Stálin para combater a ameaça nazifascista. Quando questionado, disse: “Se Hitler invadisse o inferno, eu faria pelo menos uma referência favorável ao diabo na Câmara dos Deputados”.

Quando a França se rendeu vergonhosamente diante da Alemanha em 1940, o mundo esperava que ele fosse seguir esse caminho, mas disse: “Nós nunca nos renderemos... e lutaremos sozinhos até que o novo mundo venha resgatar o velho!” Era uma referência velada aos Estados Unidos e foi exatamente o que aconteceu, em 1941, depois que a antiga colônia inglesa foi atacada pelo Japão e entrou no conflito ao lado da Inglaterra, como ansiava Churchill.

A partir de 1944, apesar de aliados, já encarava Stalin como um inimigo, chegando mesmo a encomendar planos para um ataque contra a União Soviética após a vitória sobre a Alemanha.

No fim da guerra elevou novamente a sua voz para alertar para os perigos do comunismo, popularizando o termo “cortina de ferro”, quando ficou claro que Stálin não iria abrir mão dos territórios que conquistara no leste europeu.

Churchill foi o homem certo no lugar certo, mas, infelizmente, logo após a rendição alemã, perdeu as eleições (voltaria a ser primeiro-ministro na primeira metade da década de 1950).

Apesar de hábitos “pouco saudáveis”, como comer grandes quantidades de bacon e de beber pelo menos um quarto de litro de whisky quase que diariamente e fumar charutos desbragadamente, viveu até os 90 anos.

Estado pra quê?

Estado pra quê?

O Brasil é um país sui generis.

Qualquer pesquisa de opinião revela que todos – militares, professores, padres, jornalistas, empresários, banqueiros, etc – são mais confiáveis que os políticos.

Os políticos costumam alegar que os eleitores têm o hábito de puni-los por suas virtudes e qualidades, a saber, a de pertencerem a um poder mais aberto, o qual submete os seus erros ao escrutínio direto do grande público.

Um ex-presidente da república chegou a dizer que os políticos exercem a profissão mais honesta do mundo. Mais até do que o funcionário público concursado, que ralou para ser aprovado num concurso público, mas depois disso não dá mais satisfação a ninguém, enquanto o político tem de todo ano enfrentar o povo e prestar satisfação do que anda fazendo (http://g1.globo.com/politica/videos/v/lula-diz-que-profissao-politico-e-por-incrivel-que-pareca-a-mais-honesta/5308635/) (https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/nao-tem-uma-viva-alma-mais-honesta-do-que-eu-afirma-lula/) (https://congressoemfoco.uol.com.br/especial/noticias/politico-mais-honesto-que-concursado-entidades-repudiam-fala-de-lula/).

Não restam dúvidas que o poderes nos quais estão encastelados os políticos, principalmente o Legislativo, são mais expostos do que os espaços ocupados pela esmagadora maioria das outras profissões.

No entanto, o julgamento dos cidadãos acerca do comportamento de suas lideranças políticas não está relacionada apenas às práticas do cotidiano parlamentar e tampouco às do executivo, ao ingente trabalho de administrar a sociedade, mas às posturas adotadas durante os períodos eleitorais e, principalmente, aos conchavos para desviar verba pública e para criar sinecuras e vantagens materiais para eles e para apaniguados.

O eleitor grita que não dá para confiar em gente desse tipo, mas ainda assim há uma infinidade de personalidades e uma casta de cidadãos que gostariam de aumentar a presença do Estado e, portanto, dos políticos na vida do país.

Já tivemos da direita à esquerda sentada nos birôs de gerentes do país, administrando os destinos do Brasil, nenhum conseguiu fazer a máquina pública trabalhar em prol dos que a sustenta – o povo.

A máquina pública brasileira continua, para citar Raymundo Faoro, sendo usada e abusada para garantir o sustento da própria burocracia e da elite política que controla as rédeas do Estado.

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