O que uma coluna de pedra, esculpida antes de Cristo tem a ver com aviação e o o Rio Grande do Norte? A resposta é simples, foi o presente dado por um ditador, reconhecendo como nosso povo é acolhedor. Popularmente conhecida como Coluna Capitolina, a peça é uma verdadeira obra de arte e foi enviada em pessoa pelo duce italiano Benito Mussolini e entregue pelo ministro da Aeronáutica, Ítalo Balbo.

Sempre se falou que a coluna foi dada em agradecimento ao povo do RN pela acolhida aos pilotos Arturo Ferrarin e Carlo Del Prete, que pousaram aqui três anos antes, quebrado o recorde de distância de voo em linha reta, unindo Roma a Touros, a 70 quilômetros de Natal (em rota aérea). Além disso, de acordo com matérias da época, a intenção do Governo Italiano era bem mais simbólica, retomando o tempo em que o Império Romano marcava sua presença com marcos deste tipo, no extremo Oriente, Espanha, Bretanha, Asia Menor, África, Egito, entre outros locais.

Dizeres da placa em mármore:

TRAZIDA DE UM SÓ LANCE / SOBRE ASAS VELOZES / ALÉM DE TODA A DISTÂNCIA / TENTADA POR CARLO DEL PRETE / E ARTURO FERRARIN / A ITÁLIA AQUI CHEGOU / EM 5 DE JULHO DE 1928 / O OCEANO NÃO MAIS DIVIDEM E SIM / UNE ASGENTES LATINAS / DA ITÁLIA E DO BRASIL

Ao longo dos anos, a coluna ocupou pelo menos três locais diferentes; primeiro na entrada do Porto de Natal, em baixo do Viaduto do Baldo e no pátio do Instituto Histórico e Geográfico do RN (onde permanece atualmente). Existe inclusive um relato de que a população de Natal havia danificado a coluna após o levante comunista na década de 1930 e durante a Segunda Guerra Mundial, por ser um presente fascista. No anos 1990, ela foi alvo de pichadores, por isso, foi retirada do Baldo e levada para o IHGRN.

Imagem da Coluna Capitolina após 1931, instalada no bairro das Rocas (Foto: Arcevo do autor)

Foto aérea do bairro das Rocas, mostrando a coluna, após 1931 (Foto: Arcevo do autor)

Imagem aérea do Porto de Natal, mostrando mais uma vez a posição original da Coluna Capitolina (Foto: Porto de Natal)

Posição da original da Coluna Capitolina, no pátio da IHGRN (Foto: Leonardo Dantas)

Ao concluir, apesar de considerar um presente absurdo, pois comparo como se depredássemos o nosso Forte de Reis Magos presenteando municípios com partes da edificação, a coluna faz parte de nossa história e estar sob nossa guarda.

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