A ejeção do militar da Força Aérea Brasileira (FAB) sobre a praia de Genipabu, litoral norte de Natal, movimentou a imprensa local na tarde da terça-feira (3), e algumas informações infundadas foram divulgadas, inclusive, que uma aeronave havia caído no mar. Para nossa surpresa, surgiram vídeos de “repórteres” nas proximidades afirmando tal fato, mostrando o cuidado com o que a informação deve ser tratada, pois existe uma responsabilidade enorme por trás dos fatos.

O blog P-47 foi um dos primeiros a postar a notícia e apesar ter tido acesso ao fato bem antes, a postagem só foi liberada após a confirmação por uma fonte confiável. Nosso papel, com esta postagem é o esclarecimento de como se deu o desenrolar do acontecimento e responder algumas perguntas que foram feitas ao longo do dia 3 de março de 2020.

Caiu avião na tarde da terça-feira (3) em Natal?

Não. O avião pousou na pista da Ala 10, antiga Base Aérea de Natal e vai passar por inspeção.

Como ele conseguiu ejetar e o piloto da aeronave continuou voo?

A cabine do A-29 “Super Tucano” biplace – pode-se dizer – é independente, então o tripulante que ia assento de trás ativou seu assento ejetor, ainda não se sabe como ou em que condições. Desta maneira, a própria cadeira ao sair da aeronave quebra o acrílico do canopi parcialmente, deixando a parte que cobre o assento dianteiro em uso. Acreditamos que foi um grande susto para o piloto, mas o treinamento dos militares e a qualidade da aeronave permitiu seu retorno à base.

Quem ejetou era piloto?

Não. Apenas oficiais formados pela Academia da Força Aérea (AFA) são considerados pilotos militares da FAB, e eles ainda precisam concluir um dos cursos oferecidos nas especialidades, como caça, asas rotativas e transporte. O militar em questão, oficialmente, não teve sua identidade revelada. Contudo, sabe-se que não era oficial e estaria na aeronave como tripulante, ou popularmente “saco”.

O assento ejetor machuca seu ocupante?

A ejeção é uma ação nada fácil e, em geral, bem pensada devido os riscos. O tripulante pode se machucar no momento da ejeção ao colidir com a própria aeronave ou parte dela, ou ainda ao tocar o solo, tendo em vista que ele depende de inúmeros fatores, como vento, relevo, rede elétrica, animais e etc. Um exemplo que se espalhou nas redes sociais em 2018, foi o caso dos dois pilotos que se ejetaram de uma aeronave F-5, no Rio de Janeiro, em que ambos saíram machucados. No caso ocorrido em Natal, no dia 3 de março, o tripulante caiu no mar e em uma região de fácil acesso e sem muitas ondas.

Modelo do helicópetro H-36 utilizado no resgta (Foto: Leonardo Dantas)

Como se deu o resgate do militar?

Ao cair no mar, o militar ficou boiando. Um outro A-29 que participava do exercício de treinamento informou via rádio que viu o paraquedas se abrir e acompanhava o pouso na água do tripulante. De imediato o serviço de busca e salvamento (Search and Rescue – SAR) da Ala 10 foi acionado com helicóptero H-36 Caracal e com apoio de aeronaves C-95 Bandeirantes. Apesar do militar ter saído andando do mar, buscando abrigo em um restaurante próximo, o mesmo foi imobilizado e levado para o Hospital de Guarnição de Natal.  

O que diz a Aeronáutica?

Nota emitida pelo Comando da Aeronáutica por meio do Centro de Comunicação Social da Aeronaútica (Cecomsaer)

O Comando da Aeronáutica informa que foi realizada uma ejeção do assento traseiro de uma aeronave A-29, na tarde desta terça-feira (03/03), no Rio Grande do Norte, durante uma missão de treinamento. O militar envolvido na ejeção foi resgatado, passa bem e está sendo submetido à avaliação médica.

O procedimento ocorreu dentro dos padrões de segurança e o piloto da aeronave, que ocupava o assento dianteiro, retornou à Ala 10 – Base Aérea de Natal, realizando o pouso normalmente.

A Aeronáutica iniciou as investigações para apurar os possíveis fatores que contribuíram para a ocorrência.